quarta-feira, julho 14, 2004

Injustiças musicais

Eu já sabia que listas eram injustas. Claro que depois de publicar as nossas, fica latente que a indignação ou a raiva em relação às alheias são substituídas pelo arrependimento. De fato, o que é legal nessas listas é tão somente ressaltar as diferenças entre as pessoas e suscitar a discussão saudável sobre um determinado tópico, mesmo que no final, sempre prevaleça a máxima do "gosto não se discute".

Bom, o blá-blá-blá é só pra dizer que, no final das contas, gente boa demais ficou de fora. Então listarei aqui, pouco a pouco, aqueles dignos de menção, seguindo os mesmos critérios anteriormente descritos.

R.E.M. - Green (1988)
Beatles - Revolver (1966)
Titãs - Cabeça Dinossauro (1986)
Siouxsie & The Banshees - Superstition (1991)
O Rappa - Lado B Lado A (1999)
Swing Out Sister - Get In Touch With Yourself (1992)
Legião Urbana - Dois (1986)
Morrissey - Your Arsenal (1992)
Mundo Livre S.A. - Samba Esquema Noise (1994)
10,000 Maniacs - In My Tribe (1987)
Ed Motta - Entre e Ouça (1991)
Bauhaus - Mask (1981)
Pretenders - Viva El Amor (1999)
Chico Buarque - Meus Caros Amigos (1976)

sábado, julho 10, 2004

Os 10 melhores álbuns de todos os tempos

Já que o meu amigo Pocinha, da TocLoc (Locadora de CDs e DVDs) pediu aos sócios que fizessem sua listinha à lá "Alta Fidelidade" pra eleger os 10 melhores álbuns de todos os tempos - e como acaba que esse blog não fala de muito mais coisa a não ser música mesmo - vou tentar fazê-la. Eu já tinha feito uma vez uma listinha dos melhores 25 álbuns de metal para o Globo (ou pra Bizz, não me lembro), à pedido do Bernardo Araújo, mas essa lista que o Pocinha pediu vai ser dureza!

1. The Cure - Disintegration (1989)
2. The Smiths - The Queen Is Dead (1986)
3. Faith No More - Angel Dust (1992)
4. Everything But The Girl - Idlewild (1988)
5. Pixies - Surfer Rosa (1988)
6. Caetano Veloso - Circuladô (1991)
7. The Cult - Love (1985)
8. New Order - Low Life (1985)
9. Depeche Mode - Violator (1989)
10. Alice In Chains - Dirt (1992)

É claro que essa lista muda todo dia. Além disso, gostaria de fazer mais duas ressalvas sobre as minhas escolhas.

Primeiro, não coloquei nenhuma coletânea porque acho que nessas listas os álbuns devem ser eminantemente autorais, portanto, não acho justo incluir algum desse tipo se o artista teve uma carreira super respeitada e lançou um ótimo "the best of", mas os álbuns em si não eram tão consistentes - e eu colocaria vários nessa categoria: Bauhaus, Chico Buarque, Pretenders, enfim, tantos!

Segundo, não quis colocar o inverso: álbuns "perfeitos" de artistas com uma carreira, digamos, não tão profíqua e/ou duradoura; e eu citaria alguns que me vem à cabeça neste momento: o primeiro do Stone Roses, o primeiro do Sex Pistols, o primeiro do Sugarcubes, o Brick By Brick do Iggy Pop ou o Nevermind do Nirvana.

Pra finalizar, que não digam que eu copiei o Kyle do South Park quando ele diz a seguinte frase num certo episódio ao "herói" Robert Smith (que dublou a si próprio!) quando ele finalmente salva o mundo da dominação da "megera" Barbra Streisand: "Disintegration is the best album ever!".

quarta-feira, julho 07, 2004

Os álbuns que eu tive... [Parte 5]

Jesus & Mary Chain - Psychocandy (1985)
Comprei o vinil em 1987 nas Lojas Americanas de Laranjeiras
Esse odiei quando ouvi. Tive vontade de quebrar que nem o Cazé no Neurônio MTV. Achei desleixado, tosco e paradaço. Hoje percebo que pelo menos eles foram inovadores no conceito e os seus seguidores conseguiram aprimorar a fórmula. Na verdade não consegui gostar do Jesus & Mary Chain até que eles lançassem o seu terceiro álbum, o "Automatic" (1990), que hoje me lembra a mesma guinada que o Sisters of Mercy deu com o "Vision Thing" (1990), onde pitadas de testosterona, uma boa bateria eletrônica e uma tomada em 220 volts fizeram toda a diferença. Finalmente, o vocal doente e a guitarra senil estavam com mais "pegada" e também diferentes do segundo álbum, onde os toques de surf music anos 50 ainda não tinham me seduzido. Bom, no frigir dos ovos, os caras influenciaram muita gente boa, começando pelo My Bloddy Valentine e indo até o Oasis e passando pelo fenomenal Pixies, que inclusive fez uma fantástica releitura de um dos hits do "Automatic" no seu último álbum de estúdio, "Trompe Le Monde" (1992), antes do retorno triunfal em 2004.

Joy Division - Closer (1980)
Comprei o vinil em 1989 numa loja na Sete de Setembro
Comecei a freqüentar o centro da cidade na busca por sebos de discos, revistas e livros por essa época - a única exceção até esse momento eram as idas à Rua da Carioca para comprar encordoamentos e namorar as guitarras nas vitrines das lojas de instrumentos musicais. Ensaiei muito pra comprar esse álbum. Já gostava de New Order e tinha ótimas referências provenientes da Bizz, mas por algum motivo tinha receio de não gostar muito do som. Naquela época era difícil conhecer as bandas "obscuras", a não ser comprando os discos ou pegando emprestado com alguém, portanto, a gente tinha que se virar de algum jeito. Achar uma dessas "obras-primas" em sebos era tarefa árdua e como nenhum dos meus amigos gostava do Joy Division, eu tentava selecionar os melhores porque a grana era curta e a safra naquela época era profíqua. Na verdade, um outro motivo era um sentimento que tomava conta vez em outra de maneira bastante contundente comigo e se manifestava de várias formas e em várias fases: o radicalismo tipicamente adolescente. Achava muito rara a possibilidade do Joy Division superar o New Order de alguma maneira e fui retardando o projeto de ouví-los. Quando finalmente aconteceu - pra variar - demorei a entender. O minimalismo do som me causou uma certa repulsa e lembro que aconteceu igualzinho quando ouvi Siouxsie pela primeira vez, ao contrário do Cure, que sempre teve uma "pegada" que me encantava de graça. Mas foi só questão de tempo para se apaixonar pelo lirismo e a angústia das palavras e do timbre de Ian Curtis, admirar os ritmos inusitados de Stephen Morris e acompanhar o nascimento do baixo inconfundível de Peter Hook. Senti que tinha descoberto os mais puros representantes do punk que trocaram a revolta (adolescente?) pela depressão (adulta?) e que fatalmente naquele momento havia florescido uma das primeiras flores que compuseram o jardim que hoje chamamos de pós-punk.

Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens - Ao Vivo (1986)
Comprei o vinil em 1986 na antiga Mesbla do Passeio
Esse era um dos que eu ouvia saboreando um cornetto de creme com gotas de chocolate... era um ritual delicioso, mas raro porque eu dosava a gula pra poder comprar casssetes para gravar os álbuns que eu arrumava emprestado. Engraçado que os outros que eu ouvia seguindo o mesmo ritual - "Bring On The Night" (1986), do Sting, e o "Magic Touch" (1986), do Stanley Jordan - também tinham o mesmo clima (lendo as resenhas deles vai dar pra entender os porquês). Além de trazer uma nova roupagem para os clássicos do Kid Abelha, com versões estendidas e canções emendadas, o álbum tinha uma veia quase jazzística. Seria a recente saída do baixista e compositor Leoni a causadora dessa guinada nos arranjos? A vontade de exorcizar sua figura tão presente? O fato é que a banda até hoje não conseguiu superar a força daquelas composições e apesar de ter sustentado com louvor sua carreira desde então - e diga-se de passagem, sem altos e baixos, feito quase inédito entre as bandas do rock brasil 80 - e por essas e outras esse disco - quem diria - continua atual mesmo com a enxurrada de "acústicos" e "ao vivos" que foram lançados nesta década.

quinta-feira, julho 01, 2004

Cure de volta à ativa !!!

Parece ser muito bom esse disco novo do Cure. Só ouvi o single, "The End Of The World" e lembra tudo de melhor que Robert Smith já fez. É uma pena que o Hemisfério Norte todo se agita para esse tão esperado lançamento - sem falar da turnê dos caras, que já está rolando - e a gente aqui embaixo fica só babando...

domingo, fevereiro 29, 2004

Pixies tocam em Curitiba em Maio !!!

Carau, essa já é a notícia do ano - se bem que o novo álbum do Morrissey, "You Are The Quarry", a ser lançado em maio, depois de um hiato de 7 anos, aclamado como o melhor da carreira pela crítica especializada também promete. Mas não tem jeito. Depois de 12 anos, a volta do Pixies é a notícia mais bombástica de 2004. O problema é que eles só vão à Curitiba e só serão disponibilizados míseros três mil lugares. Só nos resta esperar o clamor dos fãs para que pinte um show em Sampa, ou quem sabe, na Cidade Maravilhosa...

sexta-feira, fevereiro 27, 2004

Os álbuns que eu tive... [Parte 4]

Pixies - Surfer Rosa (1988)
Comprei o vinil em 1989 numa loja na galeria Senador Vergueiro
Esse álbum foi recomendado pela amável dona desta loja que já não existe mais, sempre antenada com os últimos lançamentos, principalmente os alternativos. Lembro que ela arrumava umas fitas de vídeo com clipes gravados do “120 Minutes”, o Lado B da MTV americana, e eu passava tardes inteiras vendo os vídeos e ouvindo um monte de discos legais. O Pixies mexeu muito com a minha cabeça na época. Eu ainda era muito ortodoxo na definição do estilo das bandas – tipo, o Mission era gótico e os Pistols eram punks – e não conseguia imaginar nada no meio do caminho. Voilá! Parar o álbum no meio pra ficar falando abobrinha? Cantar um monte de coisas em espanhol? Vocais totalmente esquizofrênicos? Vocal feminino totalmente hipnótico com gosto de quero mais? Barulho, balada, pegada, "Surfer Rosa" é uma aula de rock vanguarda do começo ao fim.


Pretenders - Packed (1990)
Comprei o vinil em 1991 na Ultralar & Lazer do Catete
O primeiro álbum que eu ouvi do Pretenders foi o "The Singles" e obviamente gostei de cara de um monte de outras músicas além daquelas que já bombavam nas rádios normalmente. O sentimentalismo à flor da pele da Chrissie Hynde cai muito bem com as letras românticas e aquela voz de vibrato que ela faz. Esse disco veio na seqüência da turnê dessa coletânea – que pintou aqui no Hollywood Rock de 1988 - e tinha o Johnny Marr recém-saído dos Smiths. Ele acabou contribuindo com uma composição para esse disco, "When Will I See You", mas seu ego inflado fez com que ele não durasse na banda até a gravação de "Packed". O mais engraçado é que a Chrissie comenta no DVD "Loose in L.A.", que “se quisermos ouvir algo obscuro”, é só ouvir este disco. Talvez tenha sido o disco de menor vendagem da banda, realmente. Mas tem ótimas canções. Assim como todos os outros.


U2 - War (1983)
Ganhei o vinil de aniversário em janeiro de 1986
Já conhecia "New Year’s Day" desde o final de 1984 e não tinha me empolgado muito. Tinha achado um pouco pop e eu estava na busca de coisas mais vanguarda. Mas o clamor da crítica era tanto que eu resolvi sucumbir. Não gostei muito de primeira, achei sem graça, depois gostei bastante e hoje já nem gosto mais tanto assim. Depois de conhecer bem o R.E.M. e os Beatles, acho que o U2 parece um pouco vazio. Coisas da vida. Mas "The Refugee" e "Two Hearts Beat As One" são realmente obras primas.

terça-feira, fevereiro 17, 2004

I’m a Celebrity... Get Me Outta Here!!!

Putz, quem diria que essa febre de "big brother" iria contaminar o Johnny Rotten do Sex Pistols... o cara está num tipo de "No Limite", promovido pelo canal inglês ITV, filmado na Austrália. Realmente, depois da família do Ozzy na MTV, era só que faltava!!!

Só nos resta torcer pra alguém comprar os direitos e exibir essa farofa aqui pra gente... pra dar mais dramaticidade ainda à situação, as vendas do seminal álbum "Never Mind The Bollocks", lançado em 1977, dispararam no Reino Unido.

sábado, fevereiro 14, 2004

Os álbuns que eu tive... [Parte 3]

My Bloody Valentine - Isn't Anything (1988)
Comprei o vinil em 1989 nas Lojas Americanas da Rua das Laranjeiras
Ressucitar esse disco em época de "Encontros e desencontros" é chover no molhado. Essa banda me chocou profundamente por usar uma super-hiper-mega distorção em melodias serenas. Jesus & Mary Chain e Sonic Youth já haviam feito isso nos idos de 85, mas o diamante foi lapidado pelo My Bloody Valentine. "Soft And Snow (But Warm Inside)" é simplesmente matadora!

Morrissey - Viva Hate (1988)
Comprei o vinil em 1988 nas Lojas Americanas da Rua das Laranjeiras
O primeiro single deste álbum, "Suedehead", eu ouvi pela primeira vez deitado numa cama de hospital, poucas horas depois de ter acordado da anestesia de uma cirurgia de peritonite. Chorei como poucas vezes na vida. Diferente do Smiths, algumas faixas são superelaboradas, com andamento e sonoridade complexos; porém, "coincidentemente" igual ao Smiths, melhoram a cada audição.

Camisa De Vênus - Viva (1986)
Comprei o vinil em 1986 na Gramophone do Centro
Foi difícil achar esse álbum... procurei à beça, porque como duas faixas tinham sido censuradas (quem lembra disso?), rolava um certo "boicote velado" dos lojistas, além do conseqüente fenômeno de aumento de vendas por causa da mídia em cima da censura às faixas. Punk baiano com testosterona na veia e vários clássicos do Rock Brasil dos anos 80. A pervertida e subversiva versão de "My Way", conhecida com o Frank Sinatra, era uma das minhas favoritas; afinal, um adolescente sempre procura seus pretextos para poder falar seus palavrões bem alto e essa música - e não só essa - era um prato cheio!

Oingo Boingo - Dead Man's Party (1986)
Comprei o cassete em 1987 na Sendas da Voluntários da Pátria
Foi o primeiro álbum do Oingo Boingo a sair no Brasil e eu também comprei meio no susto, a faixa-título ainda não tinha estourado na Rádio e só "Just Another Day" dava um indício do que poderia ser a banda. Ajudou o fato de já ter ouvido bem de leve o importado "Only A Lad" (1983) na casa de um amigo. Mas o engraçado mesmo é que quando eu cheguei com essa fita no colégio, os surfistas da minha sala ficaram bolados e me ofereceram pelo K7 o dobro do que eu havia pago nele...

sexta-feira, fevereiro 13, 2004

Os álbuns que eu tive... [Parte 2]

The Cure - Standing On A Beach - The Singles (1986)
Comprei o cassete em abril de 1987 na antiga Gabriela, 2º piso do Rio Sul
Acreditem ou não, eu só comecei a gostar deles depois que eles foram embora do Brasil. Até hoje ouço loas sobre os shows memoráveis que eles fizeram no Maracanãzinho, apesar do péssimo som que aquele lugar tinha. Bom, comecei com o pé direito, essa coletânea é um biscoito finíssimo, pois além de ser uma ótima apresentação das diversas facetas da banda, ainda conta com 12 faixas bônus extraídas de lados B de singles, que concorrem pau-a-pau com os lados A...

The Cult - Love (1985)
Comprei o vinil em 1987 numa loja ao lado do Lamas
Este foi mais um dos que eu comprei pela capa. Fazer o quê? A única rádio que tocava rock e arriscava umas bandas novas naquela época era a Fluminense FM e eu nunca fui muito de ouvir rádio. É claro que as ótimas referências da Bizz ajudaram, mas se eu fosse comprar tudo o que aqueles caras diziam que era bom, eu ia ter que roubar um banco por ano. Apesar disso, eu adorei o som dos caras e esse disco até hoje é o meu favorito deles, possivelmente figurando no meu Top 20.

New Order - Brotherhood (1986) e Low Life (1985)
Comprei os dois cassetes em 1988 numa loja na Galeria Condor
Mais uma vez a velha Bizz. Apesar do Low Life ter saído primeiro no Brasil, eu comprei primeiro o Brotherhood por causa de Bizarre Love Triangle, estourada no rádio. Lembro que achei bom na época e me empolguei pra comprar o outro tipo uma semana depois, esse sim, maravilhoso.

New Order - Power, Corruption & Lies (1983)
Comprei o cassete em 1989 na Gabriela do Barra Shopping
Acho que nessa época eu já tinha ouvido o Substance e me lembro que fiquei chapado. Aí a empolgação tomou conta e eu resolvi investir mais no New Order. Fiquei um pouco decepcionado na época, mas como eu só iria aprender um pouquinho depois, esse é o tipo de disco que entra naquela categoria em que a gente tem que escutar bastante pra entender - e gostar, claro!

quarta-feira, fevereiro 11, 2004

Os álbuns que eu tive...

Bom, estou começando a escrever sobre os álbuns e as bandas mais interessantes - do ponto de vista literário, vejam bem - para traçar um panorama da juventude e a música nas décadas de 80 e 90. Vou tentar ir postando por aqui de vez em quando algumas das crônicas pra já ir "esquentando as turbinas"...

A-ha - Scoundrel Days (1988)
Comprei o vinil em 1988 mas não me lembro aonde
O A-ha era uma daquelas bandas - assim como o Duran Duran e algumas outras - que sofriam da síndrome do "New Kids On The Block" e tiveram seus dias de "boy band", mas na verdade faziam um pop muito interessante se você tivesse disposição pra investigar a obra deles além dos sucessos radiofônicos e o preconceito instaurado na época. Lembro-me até hoje de um show que eles fizeram na Apoteose em 1989, já estouradaços no Brasil, pois foi o primeiro show internacional que eu fui sozinho (pros amigos dei a desculpa de que tinha ido levar a irmã!) e até que valeu à pena - apesar do som estar ruim como de costume nos idos de 80 em concertos em locais abertos. Até hoje penso como seria se o Wonderland tivesse gravado uma demo só com covers e tivéssemos colocado Manhattan Skyline... A-ha metal??? Só um louco como eu pra pensar nisso.

Alien Sex Fiend - Acid Bath (1986)
Comprei o vinil em 1990 num sebo na Rua das Laranjeiras
Esse álbum tem uma estória realmente engraçada. Além de ser mais um daqueles comprado pela capa e pela bênção da Bizz, o dito cujo estava com um arranhão violento pegando uma boa parte da faixa inicial mas novo - deve ter sido algum defeito de fabricação. Aí, o coitado não valia mais do que 50 centavos na época e é óbvio que isso também contribuiu bastante pra que eu levasse ele pra casa. Não é que essa escoriação no bichinho deu um toque todo especial ao punk-disco-psicodélico de In God We Trust e eu acabei me amarrando na banda?

Bangles - Different Light (1986)
Comprei o cassete em 1987 na Gabriela do Catete
Nem sei porque lembrei deste. Talvez pra ilustrar como a gente conhecia as coisas nesta época... fuçando! Ou talvez porque eu tivesse uma maior inclinação pro pop chiclete no final dessa década. Ele não durou muito comigo, passei pra frente num sebo ou joguei no lixo, nem me lembro.

Barão Vermelho - Declare Guerra (1986)
Comprei o vinil em 1986 na Sears de Botafogo
Eu não gostava (e ainda não gosto) muito do Cazuza. Pois bem, me pareceu interessante apostar nesse álbum por esse motivo principalmente. Gostei bastante e me lembro que, pra variar um pouco, eu ouvia ele em 45 rpm e gostava ainda mais!!! Pena que com o CD não dá pra fazer essas coisas facilmente como eu fazia com a minha vitrolinha Philips da década de 70, só girando uma chavinha... tinha até o 78 rpm, mas esse realmente deturpava totalmente a obra de qualquer um. "Linda e burra" é um clássico!

quarta-feira, fevereiro 04, 2004

Rock palpável

Esse seria o nome do meu programa, minha coluna, minha seção ou seja lá o que fosse - independente do meio - sobre música, desenvolvido por mim... mas se nem sei direito se esse blog aqui vai conseguir decolar, o que diria de um projeto assim tão etéreo. Pra piorar, como o dia não tem 40 horas, fica difícil ter disciplina oriental pra administrar tudo. Vamos ver se agora a coisa sai (no bom sentido, é claro)!

Estas são as músicas que não me saem da cabeça nos últimos dias:

Top 5
1. Letter To Memphis - Pixies
2. Peace Dog - Cult
3. All My Love - Led Zeppelin
4. Genius Of Love - Tom Tom Club
5. Cuckoo For Caca - Faith No More

domingo, outubro 22, 2000

Acoustic: A Cool Stick (Sets Your House On Fire)

Um projeto composto de violões, percussão, sopros e vocais remete mais a um "luau" do que aos "acústicos" que vem assolando o mercado ultimamente. Daí vem "Acoustic: A cool stick sets your house on fire", que mais do que um trocadilho em inglês para "acústico", o nome dá uma idéia bastante clara do que se propõem as canções do álbum, "incendiar", romanticamente ou não...

P.S.: Projeto para o primeiro álbum solo de Pawel Keller arquivado indeterminadamente desde o final de 2000.

Faixas
"Armadilha/Kick in the eye" (Finis Africae/Bauhaus)
"When all's well/Bizarre love triangle" (Everything But The Girl/New Order)
"Tudo/Tempo" (Pawel Keller)
"A question of lust/Do you want to know a secret?" (Depeche Mode/Beatles)
"Culto de amor" (Edgard Scandurra)
"It's fucking boring to death" (De Falla)
"Bird mad girl" (Cure)
"Adaga/Amor Urgente" (Pawel Keller)
"I wanna be adored" (Stone Roses)
"Crazy" (Seal)
"Maçã" (Pawel Keller)
"La muralla verde" (Enanitos Verdes)
"It could take a strong, strong man" (Rick Astley)
"Penumbra" (Pawel Keller)
"The lady don't mind" (Talking Heads)
"The passion of lovers" (Bauhaus)
"Butterfly on a wheel" (Mission)

domingo, outubro 15, 2000

A Volta do Finis Africae !!!

Tendo feito o seu primeiro show depois da volta em dezembro de 98, o Finis continua na ativa. E quem diria, estreando o seu website, de autoria do crooner da banda, Eduardo de Moraes!

Por Humberto Teles (colaborou Pawel Keller)

 A volta em dezembro de 98 na Fundição Progresso com o Black Future e o Hojerizah foi um presente divino! De lá pra cá, muitas histórias... as fantásticas apresentações no Ballroom (com Zero e Violeta de Outono), a ótima jam no Méli Mélo com várias participações especialíssimas, o peso na Bunker 94 (prá não ficar atrás dos Inocentes?), só pra citar algumas apresentações.

Mas o que mais me chamou a atenção em julho passado foi o fato do Finis ter tocado - na mesma semana - em dois redutos de tribos praticamente antagônicas e que "não se bicam": os mauricinhos e os maluquinhos... isto mostra - no mínimo - a grande vontade do Finis em tentar conquistar um novo público, ainda que aparentemente heterogêneo.

Surpreendentemente a receptividade ao show na Méli Mélo foi bastante boa e o som estava nota 10! Aliado a um repertório escolhido a dedo - com exceção da bola fora de "O quê", dos Titãs, o Finis simplesmente detonou. A banda cada vez mais exala virilidade a olhos vistos.

O vovô Toni Platão (ex-Hojerizah) bateu o seu cartão em "Pros que estão em casa" (essa foi na trave) e Renato "Negrete" Rocha (ex-Legião) e Philippe Seabra (Plebe Rude) deram uma força em "Fátima".

Na Bunker 94, o show foi num "kinder ovo" de palco, muito pequeno, mal cabia a banda dentro. Antes do show bati um papo com o Eduardo e o MacGregor, sendo que o primeiro me disse que o álbum "Finis Africae" (clique aqui para ler uma crônica sobre o disco) estaria agendado pra ser lançado pela EMI-Odeon em setembro, com tiragem de 3.000 cópias... afinal, sonhar não custa nada! Sem contar com o álbum ao vivo gravado em Brasília em abril de 1999 prontinho pra ser lançado, mas infelizmente até o momento, nada concreto (mas esperamos que ele não rache antes).

Não houve passagem de som e o César até tentou fazer uma, mas o Ronaldo mandou logo "já era, agora é pau dentro!" e os caras levaram na raça mesmo. O set acabou sendo curtinho, só com uns 25 minutos, mas a idéia inicial era fazer bem parecido com o da Méli Mélo. Eles começaram detonando com "Deus ateu", que foi devidamente emendada com uma versão pesada de "Vícios". Ah, o MacGregor levou só na guitarra e... olha, esse cara toca muito bem, os solos dele são bons (vide o solo de "Chiclete" na Méli-Mélo?), as vezes acho até que eles deviam encostar de vez aquele teclado! Depois veio a nossa conhecida "Acrobata" em versão matadora e baixo pesado. O próximo número foi "Ask the dust", também em versão pesada e com um belo dueto de solos entre o César e o MacGregor (esses caras são foda!).

Depois veio aquele cover burocrático de "Pros que estão em casa" (Hojerizah) e me desculpem, mas EU ODEIO HOJERIZAH!!! Como eu disse uma vez pro Roberto e pro Ronaldo no último show... "Eu tenho ojeriza de Hojerizah", e eles morreram de rir... Eles bem que poderiam tirar essa canção do set-list e colocar algum hit deles, como a grande "Mentiras"! Até um cover da Legião serviria... qualquer coisa, menos Hojerizargh!

Bem... depois disso a corda da guitarra do César arrebentou e ele ficou meio puto, disse que ia cantar junto com o Eduardo e só, mas pegou na guitarra assim mesmo e levaram... "Van Gogh"!! Sim, isso mesmo! Fazia tempo que eu não escutava essa grande canção e eles colocaram umas guitarras pesadas e com efeitos psicodélicos, bem tipo "Love" do The Cult... muito legal mesmo! Por fim, veio o cover de "Fátima", que parece que foi arranjada pelo The Cult também (essas duas últimas entrariam com certeza no grande "Love", risos!!!!). E o show terminou assim. Ficaram de fora a nova e ótima "Jovens" (bem pesadinha, não?) que foi pedida por alguém na platéia e "Ética", as duas constavam no set-list, mas foram postas de lado.

Repararam uma coisa? Pela primeira vez eu assisti um show do Finis em que "Armadilha" e "Máquinas" NÃO FORAM TOCADAS!!!! E o mais curioso... nem foram incluídas no set-list. Isso eu vou ter que perguntar pros caras depois!

quinta-feira, abril 06, 2000

Morrissey no Brasil !!!!!

Euforia? Ansiedade? Entusiasmo? Angústia? Tudo junto. Ou separado, como diria um amigo meu (afinal, por que separado é tudo junto e tudo junto é separado?).


Lembro-me como fosse ontem, no auge dos meus 13 anos, ouvia falar bastante do Smiths, tido como a sensação européia e era inevitável que eu acabasse correndo atrás de alguma maneira de ouvi-los. Rádio? Ainda não... Sim! Um flexidisc com Still Ill encartado numa edição da Bizz no verão de 86 foi a deixa. Eu confesso que ainda não estava preparado. Queria gostar, mas não conseguia. A raiva contida nos versos "Ask me why and I'll spit in you eye" era demais pra mim naquele momento. Eu só iria ouvir Sex Pistols uns seis meses depois, talvez a explicação venha daí.

Mas não me dei por vencido. O primeiro lançamento nos Smiths no Brasil (quase real time!) foi "Meat is murder", um disco sem "hits" fáceis, e por isso mesmo difícil de entender, mas ao decifrá-lo, um punhado de deliciosas surpresas. Mais uma vez, a memória bem fresca: ainda neste mesmo verão de 86, numa das incursões familiares pelo supermercado, vi o famigerado vinil. Bate pé daqui, dali, "tá bom, meu filho, pode levar". Outra paulada na moleira. Encostei o disco por uns meses.

Natal de 86. Auge do Plano Cruzado. Presente de Natal? Vinil, como não? Entre um dos "repetidos", a chance de obter o famigerado "The queen is dead". Sim, agora já tinhamos "hits", inclusive na rádio. Pronto. Eu já estava contaminado pela angústia smithiana. O resto é história. Grande parte da discografia ainda está por aqui entre vinis, K7s e CDs e mp3. Poderia ficar dias aqui citando frases do monstro literário Stephen Patrick Morrissey, e tentar decifrar a sua indecifrável verve, mas vou deixar para fazê-lo lentamente, ao longo da semana...

Se eu estou feliz? Uma espera de 14 anos não podia ser melhor! Certamente depois disso tudo estamos mais maduros, eu e Morrissey. Ainda que as músicas do Smiths na turnê não tenham sido as "Crace A" (como diria João Gordo), o roteiro do show foi simplesmente magnífico. E Smiths é Smiths. Extremamente simpático (à sua maneira inglesa, é claro!), puxando papo com a platéia e zombando, dizendo que ele nunca tinha vindo antes pra cá porque nós não tínhamos convidado!!! Agradeceu várias vezes pela nossa espera, que valeu a pena, sem dúvida nenhuma! Brincou com a fã que o segue pelas turnês no mundo, Julia Riley (este deve ser o seu show número 160), jogou camisas suadas na platéia e perguntou que músicas queríamos ouvir (ainda que o set list do show fosse completamente imutável). A metada da platéia que foi ouvir "Smiths" gritou em coro: "Bigmouth"! Ele só riu. Aliás, depois de "Half a person", "Meat is murder" e "Is it really so strange?" ainda tinha gente pedindo pra tocar Smiths!!! Será que eles perceberam que já tinha rolado Smiths... Pra quem há 10 anos atrás nem cogitava a possibilidade de tocar umazinha... tá bom demais. Depois, pediram a magnífica "Sing your life", do Kill Uncle (91). Ele então titubeou, riu e ensaiou um começo... mas não lembrava da letra! Mas a "palhinha" já foi bastante... "Sing your life, any fool can think up words that rhyme".

Sonho? Sim, mais um grande sonho realizado. Pra quem pensou seriamante em ir pra Londres só pra ir a um show da figura... bom, na mesma semana veria o maravilhoso Everything but the girl, que sinceramente, é o único que me falta, já que o Ian Curtis (Joy Division) passou dessa pra melhor há 20 anos. De fato a geração 80 é uma privilegiada. Ainda com alguns (muitos!) anos de atraso, o Brasil entrou na rota do mainstream e pudemos ter o imenso prazer de conhecer estes mitos que fascinavam e atormentavam a nossa adolescência. Ainda que em alguns retornos fugazes as intenções muitas vezes não sejam as melhores (como foi o caso da turnê caça-níqueis do Sex Pistols em 95, Filthy Lucre Live), ainda assim sabemos o quão importante é guardar estes momentos vivos na retina e poder contar pros nossos filhos que pudemos vivenciar estes momentos.

Ainda que eles (bem, quase ninguém, é verdade) não dêem a mínima bola. Faz parte.

Frases:

Apologia ao suicídio: "To be finished will be a refief"
Crítica ácida: "There's too much caffeine in your bloodstream and a lack of real spice in your life"
Conquista infalível: "I will creep into your thoughts like a bad debt that you can't pay"
Descrença total no amor: "So sleep and dream of love, because it's the closest you will get to love"
Desencontros da vida: "The more you ignore me, the closer I get"
Eu só quero um xodó: "I am human and I need to be loved just like everybody else does"
Morte honrosa: "And if a double-decker bus kills the both of us... is such a heavenly way to die"
Não foi dessa vez: "Love is natural and real, but not for such as you and I, my love"
Ninguém me entende: "And I just can't explain, so I won't even try to"
Ninguém acredita em mim: "You'll never believe me so, why don't you find out for yourself?"
No mercado: "You're gonna need someone soon... and here I am"
Paixão platônica: "I've spend six years on your trail"
Perseguição: "There's too many people planning your downfall"
Profundo desleixo: "I would go out tonight, but I haven't got a stitch to wear"
Timidez: "I am the son and the heir of a shyness that is criminally vulgar"

Set List Rio de Janeiro:

THE BOY RACER - Uma pauleira pra começar muito bem o concerto.
ALMA MATTERS - Obra prima... sem comentários.
NOVEMBER SPAWNED A MONSTER - Ligeiramente mais lenta e cadenciada que o habitual, mas igualmente fantástica.
HAIRDRESSER ON FIRE - Esta também ficou mais lenta, grande interpretação do Moz.
OUIJA BOARD, OUIJA BOARD - A banda esteve muito bem nesta música, ao contrário da maioria do show.
THE MORE YOU IGNORE ME, THE CLOSER I GET - Levou o público ao delírio!
TROUBLE LOVES ME - Versão semi-acústica, eletrizante.
HALF A PERSON - Smiths. Preciso dizer mais algo? Acompanhada pela platéia em coro.
SPEEDWAY - Essa música é um desbunde. Fecha "Vauxhall and I" de maneira magistral.
A SWALLOW ON MY NECK - Pouco conhecida do público, não empolgou.
MEAT IS MURDER - Luzes vermelhas, sangue, uma morte sem motivo é assassinato... enfim, uma obra-prima!
BREAK UP THE FAMILY - "I'm in love for the last time", alterando a letra. Grande música.
I AM HATED FOR LOVING - O título diz tudo. Deliciosa.
IS IT REALLY SO STRANGE? - Mais Smiths, ovacionada. "I love you... and is it really so strange?". Ai que saudade do Johnny Marr...
BILLY BUDD - Rockão nota 10 !!!
NOW MY HEART IS FULL - Também semi-acústica, interpretação soberba de Moz. Essa música merecia um Oscar, Grammy, Premio Imprensa, sei lá.
TOMORROW - "Tell me, tell me that you love me !!!". Enfim, amanhã pode ser tarde demais. Essa fecha "Your Arsenal"... arrebenta!
***************************
SHOPLIFTERS OF THE WORLD UNITE - No Brasil tudo acaba em pizza? Pois é, no show do Morrissey também. Inesquecível.

sábado, abril 01, 2000

A Chuva e a Saudade

Nunca imaginei que a chuva e a saudade pudessem ser tão parecidas. Na verdade, a semelhança entre as duas vem muito mais de uma constatação engendrada durante anos, proveniente de uma relação de amor e ódio, do que uma associação direta e impessoal.

"O prenúncio da aparição da chuva já causa uma sensação esquisita, algo próximo da indignação. Infelizmente, na maioria das vezes, a chuva vem sem avisar. E quando a chuva finalmente começa, é uma tristeza só. Uma letargia toma conta do corpo, e aquelas decisões mais enérgicas como ‘vou enfrentar a chuva!’, ou ‘vou me conformar com a chuva...’ ficam postergadas até um momento mais sensato. Que não tarda.

De estático passo a conformado. Sinto que a chuva pode nunca acabar e começo a imaginar formas de conviver com ela. ‘Aceitar sempre, render-se jamais’ é a única frase que aparece na minha mente. Porém, quando finalmente parecemos estar gostando da idéia de aceitar a chuva e tentar tirar dela o que há de bom, muitas vezes a chuva aperta e deixa o corpo frio, mais uma vez ávido por uma mudança de estado.

Enfrento a chuva. Respiro fundo e saio para a rua, onde a chuva inunda o meu corpo incontestavelmente. Depois de algum tempo, embriagado pela chuva, reconheço que "ter enfrentado fora o melhor remédio". O corpo fica quente, se anima, e finalmente revive. Pede por mais algumas gotas de chuva. Sem remorso de ter enfrentado a chuva, fico satisfeito por ter ido fundo e vivido a emoção de reconhecer que aquela depressão que se instalou não podia mesmo ser levada a sério e que a chuva merecia, no mínimo, respeito.

Enfim, após algum tempo, a chuva acaba, e lá no fundo, sinto que até tenho saudade da chuva!"

Bom, agora leia o texto entre aspas de novo e troque todas as palavras "chuva" por "saudade" e veja se continua fazendo sentido...

Agora faz mais sentido ainda???