domingo, outubro 22, 2000

Acoustic: A Cool Stick (Sets Your House On Fire)

Um projeto composto de violões, percussão, sopros e vocais remete mais a um "luau" do que aos "acústicos" que vem assolando o mercado ultimamente. Daí vem "Acoustic: A cool stick sets your house on fire", que mais do que um trocadilho em inglês para "acústico", o nome dá uma idéia bastante clara do que se propõem as canções do álbum, "incendiar", romanticamente ou não...

P.S.: Projeto para o primeiro álbum solo de Pawel Keller arquivado indeterminadamente desde o final de 2000.

Faixas
"Armadilha/Kick in the eye" (Finis Africae/Bauhaus)
"When all's well/Bizarre love triangle" (Everything But The Girl/New Order)
"Tudo/Tempo" (Pawel Keller)
"A question of lust/Do you want to know a secret?" (Depeche Mode/Beatles)
"Culto de amor" (Edgard Scandurra)
"It's fucking boring to death" (De Falla)
"Bird mad girl" (Cure)
"Adaga/Amor Urgente" (Pawel Keller)
"I wanna be adored" (Stone Roses)
"Crazy" (Seal)
"Maçã" (Pawel Keller)
"La muralla verde" (Enanitos Verdes)
"It could take a strong, strong man" (Rick Astley)
"Penumbra" (Pawel Keller)
"The lady don't mind" (Talking Heads)
"The passion of lovers" (Bauhaus)
"Butterfly on a wheel" (Mission)

domingo, outubro 15, 2000

A Volta do Finis Africae !!!

Tendo feito o seu primeiro show depois da volta em dezembro de 98, o Finis continua na ativa. E quem diria, estreando o seu website, de autoria do crooner da banda, Eduardo de Moraes!

Por Humberto Teles (colaborou Pawel Keller)

 A volta em dezembro de 98 na Fundição Progresso com o Black Future e o Hojerizah foi um presente divino! De lá pra cá, muitas histórias... as fantásticas apresentações no Ballroom (com Zero e Violeta de Outono), a ótima jam no Méli Mélo com várias participações especialíssimas, o peso na Bunker 94 (prá não ficar atrás dos Inocentes?), só pra citar algumas apresentações.

Mas o que mais me chamou a atenção em julho passado foi o fato do Finis ter tocado - na mesma semana - em dois redutos de tribos praticamente antagônicas e que "não se bicam": os mauricinhos e os maluquinhos... isto mostra - no mínimo - a grande vontade do Finis em tentar conquistar um novo público, ainda que aparentemente heterogêneo.

Surpreendentemente a receptividade ao show na Méli Mélo foi bastante boa e o som estava nota 10! Aliado a um repertório escolhido a dedo - com exceção da bola fora de "O quê", dos Titãs, o Finis simplesmente detonou. A banda cada vez mais exala virilidade a olhos vistos.

O vovô Toni Platão (ex-Hojerizah) bateu o seu cartão em "Pros que estão em casa" (essa foi na trave) e Renato "Negrete" Rocha (ex-Legião) e Philippe Seabra (Plebe Rude) deram uma força em "Fátima".

Na Bunker 94, o show foi num "kinder ovo" de palco, muito pequeno, mal cabia a banda dentro. Antes do show bati um papo com o Eduardo e o MacGregor, sendo que o primeiro me disse que o álbum "Finis Africae" (clique aqui para ler uma crônica sobre o disco) estaria agendado pra ser lançado pela EMI-Odeon em setembro, com tiragem de 3.000 cópias... afinal, sonhar não custa nada! Sem contar com o álbum ao vivo gravado em Brasília em abril de 1999 prontinho pra ser lançado, mas infelizmente até o momento, nada concreto (mas esperamos que ele não rache antes).

Não houve passagem de som e o César até tentou fazer uma, mas o Ronaldo mandou logo "já era, agora é pau dentro!" e os caras levaram na raça mesmo. O set acabou sendo curtinho, só com uns 25 minutos, mas a idéia inicial era fazer bem parecido com o da Méli Mélo. Eles começaram detonando com "Deus ateu", que foi devidamente emendada com uma versão pesada de "Vícios". Ah, o MacGregor levou só na guitarra e... olha, esse cara toca muito bem, os solos dele são bons (vide o solo de "Chiclete" na Méli-Mélo?), as vezes acho até que eles deviam encostar de vez aquele teclado! Depois veio a nossa conhecida "Acrobata" em versão matadora e baixo pesado. O próximo número foi "Ask the dust", também em versão pesada e com um belo dueto de solos entre o César e o MacGregor (esses caras são foda!).

Depois veio aquele cover burocrático de "Pros que estão em casa" (Hojerizah) e me desculpem, mas EU ODEIO HOJERIZAH!!! Como eu disse uma vez pro Roberto e pro Ronaldo no último show... "Eu tenho ojeriza de Hojerizah", e eles morreram de rir... Eles bem que poderiam tirar essa canção do set-list e colocar algum hit deles, como a grande "Mentiras"! Até um cover da Legião serviria... qualquer coisa, menos Hojerizargh!

Bem... depois disso a corda da guitarra do César arrebentou e ele ficou meio puto, disse que ia cantar junto com o Eduardo e só, mas pegou na guitarra assim mesmo e levaram... "Van Gogh"!! Sim, isso mesmo! Fazia tempo que eu não escutava essa grande canção e eles colocaram umas guitarras pesadas e com efeitos psicodélicos, bem tipo "Love" do The Cult... muito legal mesmo! Por fim, veio o cover de "Fátima", que parece que foi arranjada pelo The Cult também (essas duas últimas entrariam com certeza no grande "Love", risos!!!!). E o show terminou assim. Ficaram de fora a nova e ótima "Jovens" (bem pesadinha, não?) que foi pedida por alguém na platéia e "Ética", as duas constavam no set-list, mas foram postas de lado.

Repararam uma coisa? Pela primeira vez eu assisti um show do Finis em que "Armadilha" e "Máquinas" NÃO FORAM TOCADAS!!!! E o mais curioso... nem foram incluídas no set-list. Isso eu vou ter que perguntar pros caras depois!

quinta-feira, abril 06, 2000

Morrissey no Brasil !!!!!

Euforia? Ansiedade? Entusiasmo? Angústia? Tudo junto. Ou separado, como diria um amigo meu (afinal, por que separado é tudo junto e tudo junto é separado?).


Lembro-me como fosse ontem, no auge dos meus 13 anos, ouvia falar bastante do Smiths, tido como a sensação européia e era inevitável que eu acabasse correndo atrás de alguma maneira de ouvi-los. Rádio? Ainda não... Sim! Um flexidisc com Still Ill encartado numa edição da Bizz no verão de 86 foi a deixa. Eu confesso que ainda não estava preparado. Queria gostar, mas não conseguia. A raiva contida nos versos "Ask me why and I'll spit in you eye" era demais pra mim naquele momento. Eu só iria ouvir Sex Pistols uns seis meses depois, talvez a explicação venha daí.

Mas não me dei por vencido. O primeiro lançamento nos Smiths no Brasil (quase real time!) foi "Meat is murder", um disco sem "hits" fáceis, e por isso mesmo difícil de entender, mas ao decifrá-lo, um punhado de deliciosas surpresas. Mais uma vez, a memória bem fresca: ainda neste mesmo verão de 86, numa das incursões familiares pelo supermercado, vi o famigerado vinil. Bate pé daqui, dali, "tá bom, meu filho, pode levar". Outra paulada na moleira. Encostei o disco por uns meses.

Natal de 86. Auge do Plano Cruzado. Presente de Natal? Vinil, como não? Entre um dos "repetidos", a chance de obter o famigerado "The queen is dead". Sim, agora já tinhamos "hits", inclusive na rádio. Pronto. Eu já estava contaminado pela angústia smithiana. O resto é história. Grande parte da discografia ainda está por aqui entre vinis, K7s e CDs e mp3. Poderia ficar dias aqui citando frases do monstro literário Stephen Patrick Morrissey, e tentar decifrar a sua indecifrável verve, mas vou deixar para fazê-lo lentamente, ao longo da semana...

Se eu estou feliz? Uma espera de 14 anos não podia ser melhor! Certamente depois disso tudo estamos mais maduros, eu e Morrissey. Ainda que as músicas do Smiths na turnê não tenham sido as "Crace A" (como diria João Gordo), o roteiro do show foi simplesmente magnífico. E Smiths é Smiths. Extremamente simpático (à sua maneira inglesa, é claro!), puxando papo com a platéia e zombando, dizendo que ele nunca tinha vindo antes pra cá porque nós não tínhamos convidado!!! Agradeceu várias vezes pela nossa espera, que valeu a pena, sem dúvida nenhuma! Brincou com a fã que o segue pelas turnês no mundo, Julia Riley (este deve ser o seu show número 160), jogou camisas suadas na platéia e perguntou que músicas queríamos ouvir (ainda que o set list do show fosse completamente imutável). A metada da platéia que foi ouvir "Smiths" gritou em coro: "Bigmouth"! Ele só riu. Aliás, depois de "Half a person", "Meat is murder" e "Is it really so strange?" ainda tinha gente pedindo pra tocar Smiths!!! Será que eles perceberam que já tinha rolado Smiths... Pra quem há 10 anos atrás nem cogitava a possibilidade de tocar umazinha... tá bom demais. Depois, pediram a magnífica "Sing your life", do Kill Uncle (91). Ele então titubeou, riu e ensaiou um começo... mas não lembrava da letra! Mas a "palhinha" já foi bastante... "Sing your life, any fool can think up words that rhyme".

Sonho? Sim, mais um grande sonho realizado. Pra quem pensou seriamante em ir pra Londres só pra ir a um show da figura... bom, na mesma semana veria o maravilhoso Everything but the girl, que sinceramente, é o único que me falta, já que o Ian Curtis (Joy Division) passou dessa pra melhor há 20 anos. De fato a geração 80 é uma privilegiada. Ainda com alguns (muitos!) anos de atraso, o Brasil entrou na rota do mainstream e pudemos ter o imenso prazer de conhecer estes mitos que fascinavam e atormentavam a nossa adolescência. Ainda que em alguns retornos fugazes as intenções muitas vezes não sejam as melhores (como foi o caso da turnê caça-níqueis do Sex Pistols em 95, Filthy Lucre Live), ainda assim sabemos o quão importante é guardar estes momentos vivos na retina e poder contar pros nossos filhos que pudemos vivenciar estes momentos.

Ainda que eles (bem, quase ninguém, é verdade) não dêem a mínima bola. Faz parte.

Frases:

Apologia ao suicídio: "To be finished will be a refief"
Crítica ácida: "There's too much caffeine in your bloodstream and a lack of real spice in your life"
Conquista infalível: "I will creep into your thoughts like a bad debt that you can't pay"
Descrença total no amor: "So sleep and dream of love, because it's the closest you will get to love"
Desencontros da vida: "The more you ignore me, the closer I get"
Eu só quero um xodó: "I am human and I need to be loved just like everybody else does"
Morte honrosa: "And if a double-decker bus kills the both of us... is such a heavenly way to die"
Não foi dessa vez: "Love is natural and real, but not for such as you and I, my love"
Ninguém me entende: "And I just can't explain, so I won't even try to"
Ninguém acredita em mim: "You'll never believe me so, why don't you find out for yourself?"
No mercado: "You're gonna need someone soon... and here I am"
Paixão platônica: "I've spend six years on your trail"
Perseguição: "There's too many people planning your downfall"
Profundo desleixo: "I would go out tonight, but I haven't got a stitch to wear"
Timidez: "I am the son and the heir of a shyness that is criminally vulgar"

Set List Rio de Janeiro:

THE BOY RACER - Uma pauleira pra começar muito bem o concerto.
ALMA MATTERS - Obra prima... sem comentários.
NOVEMBER SPAWNED A MONSTER - Ligeiramente mais lenta e cadenciada que o habitual, mas igualmente fantástica.
HAIRDRESSER ON FIRE - Esta também ficou mais lenta, grande interpretação do Moz.
OUIJA BOARD, OUIJA BOARD - A banda esteve muito bem nesta música, ao contrário da maioria do show.
THE MORE YOU IGNORE ME, THE CLOSER I GET - Levou o público ao delírio!
TROUBLE LOVES ME - Versão semi-acústica, eletrizante.
HALF A PERSON - Smiths. Preciso dizer mais algo? Acompanhada pela platéia em coro.
SPEEDWAY - Essa música é um desbunde. Fecha "Vauxhall and I" de maneira magistral.
A SWALLOW ON MY NECK - Pouco conhecida do público, não empolgou.
MEAT IS MURDER - Luzes vermelhas, sangue, uma morte sem motivo é assassinato... enfim, uma obra-prima!
BREAK UP THE FAMILY - "I'm in love for the last time", alterando a letra. Grande música.
I AM HATED FOR LOVING - O título diz tudo. Deliciosa.
IS IT REALLY SO STRANGE? - Mais Smiths, ovacionada. "I love you... and is it really so strange?". Ai que saudade do Johnny Marr...
BILLY BUDD - Rockão nota 10 !!!
NOW MY HEART IS FULL - Também semi-acústica, interpretação soberba de Moz. Essa música merecia um Oscar, Grammy, Premio Imprensa, sei lá.
TOMORROW - "Tell me, tell me that you love me !!!". Enfim, amanhã pode ser tarde demais. Essa fecha "Your Arsenal"... arrebenta!
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SHOPLIFTERS OF THE WORLD UNITE - No Brasil tudo acaba em pizza? Pois é, no show do Morrissey também. Inesquecível.

sábado, abril 01, 2000

A Chuva e a Saudade

Nunca imaginei que a chuva e a saudade pudessem ser tão parecidas. Na verdade, a semelhança entre as duas vem muito mais de uma constatação engendrada durante anos, proveniente de uma relação de amor e ódio, do que uma associação direta e impessoal.

"O prenúncio da aparição da chuva já causa uma sensação esquisita, algo próximo da indignação. Infelizmente, na maioria das vezes, a chuva vem sem avisar. E quando a chuva finalmente começa, é uma tristeza só. Uma letargia toma conta do corpo, e aquelas decisões mais enérgicas como ‘vou enfrentar a chuva!’, ou ‘vou me conformar com a chuva...’ ficam postergadas até um momento mais sensato. Que não tarda.

De estático passo a conformado. Sinto que a chuva pode nunca acabar e começo a imaginar formas de conviver com ela. ‘Aceitar sempre, render-se jamais’ é a única frase que aparece na minha mente. Porém, quando finalmente parecemos estar gostando da idéia de aceitar a chuva e tentar tirar dela o que há de bom, muitas vezes a chuva aperta e deixa o corpo frio, mais uma vez ávido por uma mudança de estado.

Enfrento a chuva. Respiro fundo e saio para a rua, onde a chuva inunda o meu corpo incontestavelmente. Depois de algum tempo, embriagado pela chuva, reconheço que "ter enfrentado fora o melhor remédio". O corpo fica quente, se anima, e finalmente revive. Pede por mais algumas gotas de chuva. Sem remorso de ter enfrentado a chuva, fico satisfeito por ter ido fundo e vivido a emoção de reconhecer que aquela depressão que se instalou não podia mesmo ser levada a sério e que a chuva merecia, no mínimo, respeito.

Enfim, após algum tempo, a chuva acaba, e lá no fundo, sinto que até tenho saudade da chuva!"

Bom, agora leia o texto entre aspas de novo e troque todas as palavras "chuva" por "saudade" e veja se continua fazendo sentido...

Agora faz mais sentido ainda???

quinta-feira, abril 22, 1999

Wonderland: Alguns Fatos Marcantes

1991

18 Maio - Sarau do CAp UFRJ, Gávea
O primeiro show do que viria a se tornar o Wonderland em poucos meses. Na época, a banda chamava-se Comandos em Ação, e havia iniciado seus ensaios dois meses antes. A formação era a mesma que posteriormente gravaria a primeira demo, exceto Pawel, que também era o baterista, além de vocalista.
Set list: "Critical Mass" (Nuclear Assault), "Dying to Reborn", "Troops of Doom" (Sepultura), "Theatre of Terror" e "Orgasmatron" (Motörhead).

21 Setembro - Sabadão no São Vicente, Cosme Velho 
A primeira apresentação do Wonderland, com Daniel na bateria. Duas semanas antes, havíamos gravado "Secret to Hide" em estúdio, e a "secura" para tocar era grande.
Set list: "Secret to Hide", "Theatre of Terror", "Troops of Doom" (Sepultura), "Join the Army", "Dying to Reborn" e Unbelievable (EMF).

10 Outubro - Sarau do Princesa Isabel - Babilônia, Leblon 
Para cerca de 1.500 pessoas, a banda participou de uma peleja e, apesar do som radicalíssimo na época, conquistou o terceiro lugar, ganhou uma graninha, e pôde gravar mais uma música em estúdio, "Theatre of Terror", que completaria o single mais tarde. O público, para espanto da própria banda, ovacionou o show e esta foi uma das mais vigorosas apresentações de todos os tempos. Daniel inclusive foi considerado o melhor baterista do festival. No final, Pawel deu um "mosh" e o público, não entendendo nada, "abriu" um clarão, fazendo com que ele se espatifasse de cara no chão... esse vídeo está no YouTube! Foi sinistro, mas bem engraçado, e inesquecível.
Set list: "Secret to Hide", "Join the Army", "Troops of Doom" (Sepultura), "Dying to Reborn", "Theatre of Terror" e Unbelievable (EMF).

25 Outubro - Sarau do São Bento, Centro 
Uma semana após a gravação de "Theatre of Terror" em estúdio, a banda toca de casaco de couro, fazendo "pose" de metaleiros. Um set curto, devido a vários atrasos na programação.
Set list: "Secret to Hide", "Seasons in the Abyss" (Slayer), "Theatre of Terror" e "Troops of Doom" (Sepultura).

9 Novembro - Sarau do Zaccaria, Catete
Um ótimo show como o da Babilônia para cerca de mil presentes. O público estava super animado e nós "fechamos" o sarau como as grandes atrações.
Set list: "Secret to Hide", "Theatre of Terror", "Troops of Doom" (Sepultura), "Dying to Reborn", "U Can Touch This" (MC Hammer), "Join the Army" e Unbelievable (EMF).

12 Dezembro - Blue Jeans, Botafogo
O primeiro show "de verdade" da banda, com tijolinho na Veja Rio, no JB e no Globo. Algum nervosismo, um palco pequeno e pouco retorno não ajudaram a descontrair, mas a banda deu o seu recado. A despedida do Diego, que viajaria para a França por oito meses. Abertura da banda Headache.
Set list: "Secret to Hide", "Theatre of Terror", "Troops of Doom" (Sepultura), "Dying to Reborn", "Behind the Flames", "Seasons in the Abyss" (Slayer), "Join the Army" e Holiday in Camboja (Dead Kennedys). Encore: "Secret to Hide" e "Theatre of Terror".

1992

27 Março - Circo Voador, Lapa
Sem Diego, Pawel assume a guitarra e a banda abre para Dorsal Atlântica e X-Rated. Quase um sonho. Com elogios na Programa (JB), a pressão era razoável. Não rendemos tanto quanto poderíamos, infelizmente, apesar da divulgação massiva, com distribuição de 5.000 flyers pela rua e chamada em rádio (Fluminense FM, claro).
Set list: "Secret to Hide", "Theatre of Terror", "Forgotten Time", "Smells like teen spirit" (Nirvana) / "Troops of Doom" (Sepultura), "Behind the Flames", "Dying to Reborn", "Join the Army" e "Holiday in Camboja" (Dead Kennedys).

1 Outubro - Espaço Cultural Sérgio Porto, Humaitá
Após o lançamento do single na Europa, a expectativa por mais um show era muito grande. Sendo a primeira banda "pesada" a se apresentar no Sérgio Porto, e com 250 pessoas lotando o local (sem banda de abertura), o show foi fantástico! Após a entrada do novo baixista Bruno Mazza em Maio, e mais de seis meses compondo e ensaiando, a banda tinha um novo material mais pungente e virtuoso, e a garra para tocar era imensa.
Set list: "Melodramatic Poem", "Theatre of Terror", "Forgotten Time", "Behind the Flames", "Seemingly Endless Time" (Death Angel), "Non Compos Mentis", "Join the Army", "Drowned by Rumours", "The Scream", "Back to those dreams (We have lost)" e "Secret to Hide".

28 Outubro - Gravação do "Antes MTV", Laranjeiras
Sem comentários. Ouvir após a edição final o Zeca Camargo anunciando a banda foi tri legal, como diriam os gaúchos.

29 Outubro - Festa de Halloween - Circo Voador, Lapa
Tocamos com o Gangrena Gasosa e outras bandas numa festa super legal. Pouca divulgação, mas muito divertido. Dois piques de luz afetaram a dinâmica do show, mas a canja do Chorão, do Gangrena, em "Troops..." foi memorável, até porque eles também tocavam esta música.
Set list: "Melodramatic Poem", "Theatre of Terror", "Non Compos Mentis", "Drowned by Rumours", "Secret to Hide" e "Troops of Doom" (Sepultura).

30 Outubro - Festa de Halloween da Rádio Fluminense - Blue Jeans, Botafogo
Show com super divulgação em Rádio e mídia impressa. Nesta época, Wonderland já tocava regularmente em programas de metal na Fluminense FM e foi convidado para tocar na festa de Halloween, tudo a ver com a banda. Abriu o show a banda Beach Lizzards e no final, uma canja do "desconhecido" Gabriel O Pensador. A MTV gravou a festa, entrevistou as bandas e os presentes, e passou alguns trechos no Semana Rock.
Set list: "Melodramatic Poem", "Theatre of Terror", "Non Compos Mentis", "Drowned by Rumours", "Seemingly Endless Time" (Death Angel), "The Scream", "Back to those dreams (We have lost)", "Secret to Hide" e "Forgotten Time".

1993

28 Janeiro - Gravação do "Fúria Metal MTV", com Gastão Moreira, Sumaré/SP
Mais uma vez sem comentários. Entrevista em 3 blocos com Diego e Pawel, falando sobre o single, shows e projetos futuros.

23 Abril - Cais, República/SP
Numa casa de shows "gótica" com umas 500 pessoas, fizemos nossa entreé em sampa. Mais um sonho realizado. Quando tocamos "Killing...", a galera foi ao delírio!!! Além do rango depois do show no Dunkin' Donuts ao lado do hotel, no dia seguinte visitamos a Galeria do Rock. Tocamos com a banda local Vern.
Set list: "Melodramatic Poem", "Theatre of Terror", "Non Compos Mentis", "Drowned by Rumours", "Killing an Arab" (The Cure), "Secret to Hide", "The Scream", "Back to those dreams (We have lost)" e "Forgotten Time".

15 Maio - Lua e Estrela, Botafogo
Para cerca de 400 pessoas, dividimos a tarde com o Herege. Um show bem descontraído e para um público bem agitado. A quantidade de "moshs" era nunca vista, fazendo com que o show fosse bastante interativo e divertido. A nova demo, "Non Compos Mentis", foi gravada uma semana depois.
Set list: "The Scream", "Melodramatic Poem", "Theatre of Terror", "Non Compos Mentis", "Drowned by Rumours", "Killing an Arab" (The Cure), "Forgotten Time", "Behind the Flames", "Loss", "Back to those dreams (We have lost)" e "Secret to Hide".

18 Julho - Show Point, Ipanema
Dividimos a noite com o Freud, para cerca de 150 pessoas.
Set list: "Melodramatic Poem", "Theatre of Terror", "Secret to Hide", "Body Count is in the House" (Body Count), "Non Compos Mentis", "Drowned by Rumours", "Forgotten Time", "The Scream", "Loss", "Back to those dreams (We have lost)" e "Killing an Arab" (The Cure).

4 Setembro - "24 Horas Contra a Fome" - TVE, Centro
Em transmissão ao vivo para todo o Brasil, as 19h do sábado, o Wonderland toca "Drowned by Rumours" depois de Inimigos do Rei e antes de Ivo Meirelles, em um palco armado em frente aos estúdios da TVE, na Rua Gomes Freire, para um público presente estimado em 4.000 pessoas, em um mega evento para arrecadar mantimentos para pessoas carentes.

10 Outubro - Garage, Praça da Bandeira
Para cerca de 100 pessoas, fizemos a nossa estréia no templo do underground carioca.
Set list: "Melodramatic Poem", "Theatre of Terror", "Secret to Hide", "Non Compos Mentis", "Forgotten Time", "The Scream", "Back to those dreams (We have lost)" e "Killing an Arab" (The Cure).

1994

25 Março - Perestroika, Barra da Tijuca
Juntamente com Cabeça e Go Ahead!, a banda fez um show derradeiro, que quase não aconteceu devido a problemas "internos", onde a formação foi dissolvida. O clima pesadíssimo fez com que a banda reduzisse o set e levasse um show atipicamente morno.
Set list: "Melodramatic Poem", "Theatre of Terror", "Secret to Hide", "Non Compos Mentis", "Forgotten Time", "The Scream" e "Killing an Arab" (The Cure).


4 Setembro - Basement, Copacabana
Alguns meses antes, o grupo muda a orientação musical, flertando com o rock mais visceral de Helmet e Rollins Band. Este foi o primeiro show da nova formação com Pedro Ribeiro (Baixo), Nick Mucci (Guitarra) e Lourenço Monteiro (Bateria), além dos membros originais Diego e Pawel.

18 Setembro - Basement, Copacabana
Um show para poucos (isso mesmo, talvez uns 30 ou 40 espectadores), mas muito empolgados.
Set list: "Real", "Non Compos Mentis", "Rise And Shine", "The Scream", "Dancing With Myself" (Billy Idol), "Nonsense", "Stop The Hate!", "Rolling Dice", "Theatre Of Terror", "In The Meantime" (Helmet).

2 Outubro - Basement, Copacabana
O repertório da demo que viria a ser gravada em breve, "Fidi Demo", se solidificando a olhos vistos.

27 Outubro - Rádio Ipanema, RS 
Pawel é atração convidada do programa de uma hora com a Katia Suman tocando Wonderland e outras bandas do underground carioca.

28 Novembro - La Maison, Humaitá
Um show inusitado numa academia de ginástica com o Stage Dive.

3 Dezembro - Eco, Freguesia Várias bandas num festival, saímos de lá depois da três da matina, voltando pra casa numa viagem "inesquecível" de ônibus passando pela Praça Seca e pela Rodoviária...

18 Dezembro - Basement, Copacabana
Final do festival? Não me lembro... mas que era muito legal tocar naquele "ovinho", ah, isso era!

1995

19 Fevereiro - Garage, Praça da Bandeira
Pawel faz uma participação especial no show Gangrena Gasosa e amigos, com várias outras personalidades do underground carioca.
Set list: "Trashangô" e "Gangrena Gasosa (vai te pegar)".

19 Maio - Garage, Praça da Bandeira
Juntamente com Akbal, Boring e Violent Vibe, a banda fez o seu último show até o momento.

sexta-feira, abril 02, 1999

Um carioca em SP

A vida anda um tédio? Nada pra fazer no fim-de-semana a não ser ir à praia, passear com o cachorro e navegar pela Internet? Pois é, viver no Rio de Janeiro nos últimos meses tem se tornado uma tarefa árdua...

Eis a solução: 24 horas em São Paulo! "Argh, eca, epa: qualé, mermão? Tá me estranhando? Tué carioca mermo? SP nem pensar, a cidade é legal, mas é cheia de paulista, meu..." :-)

Na boa, tem muita coisa legal pra se fazer em SP; durante um dia dá pra se divertir bastante e de quebra a gente aprende de uma vez por todas a respeitar e admirar nossos vizinhos... Bom, agora que você já está aceitando melhor a idéia, vamos ao que interessa!

Saia do Rio num sábado em torno de 12h. Vá de ônibus ou carro. Sei que a viagem é chata (pacas), mas leve uns livros legais, aquelas fitas que você não ouve há tempos e, muito importante, papel e caneta. Afinal, se pintar inspiração, você pode rascunhar aquele trabalho para a semana ou escrever um roteiro ainda melhor que este!

Chegando lá por volta de 18h, ter um mapa da cidade é fundamental. Se você estiver a pé, o metrô é um capítulo à parte: não é de mentirinha! Funciona (inclusive aos domingos), os trens não demoram mais do que 2 minutos pra passar e te levam pra um bando de lugares! Comece indo para um shopping, afinal, você quer ou não sentir-se como um paulistano? Uma opção é o Paulista (mais ou menos na altura da Brigadeiro), perto da Estação Paraíso. Outra é o West Plaza (Francisco Matarazzo, em Perdizes), perto da Estação Barra Funda. Aproveite, coma alguma coisa (afinal, parada de estrada é a morte!), fique atento aos preços das promoções e preste atenção no jeito e no sotaque dos "nativos". Não ria na hora, mas sim na segunda... sempre levando na esportiva (claro!). Você vai se surpreender quando ouvir, por exemplo, "chôvendo", e pensar: ué, mas se vem de chuva, não é "chuvendo"? :-))

É claro que a recíproca é verdadeira, eles podem dizer que vem do verbo chover, mas isso a gente deixa pra lá...

Próxima parada: 21h, tomar a melhor batida do Brasil no Cu do Padre (Padre Carvalho com Campo Alegre, em Pinheiros), perto do Largo do Batata (Teodoro Sampaio com Faria Lima). Cult é muito pouco... Freqüentado por todo o tipo de gente, o visual cavernoso atrai pela autenticidade. Um velhinho gente boníssima prepara os drinks fazendo malabarismos com gelos, canudos e garrafas e não cobra couvert artístico! As batidas são tão suaves que você fica se perguntando onde ele escondeu todo o álcool que você viu que ele colocou ali... A grande pedida é o Cocorango (Coco com morango), simplesmente irresistível. Entre no clima e fique pelo menos uma hora apreciando o local.

Depois de algumas batidas, vamos à night... Existem várias boas opções: KVA, com shows interessantes (Lenine, Biohazard, etc.), Dado Bier (point fervilhante da mauriçada da paulicéia), B.A.S.E. e Floresta (Techno), enfim, compre um dos jornais locais e faça um uni-duni-tê...

No Domingo, acorde cedo, por volta das 10h e rume para a Feira da Liberdade (Praça da Liberdade), na Estação Liberdade. Delicie-se com as inusitadas barraquinhas de comida, onde pode-se encontrar desde óbvios sushis até "legítimos" acarajés. Não deixe de provar o bolinho de doce de feijão (que tem um nome esquisito e muito grande), e principalmente observe a sua técnica de preparo (é melhor até do que comê-lo, diga-se de passagem); aprecie os origamis e ikebanas; e não resista à tentação de trazer um Bonsai (a partir de R$ 5) e uma luminária sanfonada oriental (de R$ 5 a 10). Você quase vai pensar que acordou do outro lado do mundo, porque até o McDonald's tem letreiros em japonês!

Lá pelas 12h, vá para a Feira de Antigüidades do Bixiga (13 de Maio, na Bela Vista), perto da Estação Brigadeiro. Vai ser engraçado tentar entender como tem gente que compra cada coisa... inclusive, se você tiver algo velho e estranho e quiser trocar, há grande possibilidade de fazer negócio. Mas, falando sério, tem muita história embutida nas tendas; vale a pena conhecê-las. Por exemplo, se você gosta de chapéus, uma barraca em especial tem alguns muito bonitos, da época da Revolução Russa.

A fome já deve estar apertando e as opções são muitas, mas uma cantina em especial chama a atenção: Mamma D'oro, em frente à Feira. Um grupo interpreta chorinhos, clássicos da MPB e o cancioneiro italiano, lógico. O melhor é que de vez em quando alguns tenores e sopranos estão "escondidos" por entre as mesas, e resolvem vez ou outra dar uma canja. Depois de um Filé ao Funghi Secchi, você descobrirá que fez a viagem mais indolor da sua vida (Japão - Itália em 40 minutos!!!).

Para facilitar a digestão, vá andando até a Feira de Artes Trianon, em frente ao Parque Siqueira Campos, e familiarize-se com o ar cosmopolita da Avenida Paulista, a "espinha dorsal" da cidade, enfim, de onde quase tudo converge. É uma "mini feira hippie", inclusive com algumas barracas de doces caseiros e tradicionais. Um dos trabalhos mais interessantes é uma série de posters montados com clips coloridos de plástico (?!?). O Homem-aranha, com aproximadamente 1,5 x 1,0 m, é pra lá de cool.

Atravesse a rua, e dê uma olhadinha na Feira de Antigüidades do MASP (embaixo do MASP). Com um enfoque um pouco diferente da feira do Bixiga, vale a pena visitá-la pelo aspecto comparativo (inevitável), visto que esta é um pouco mais "requintada".

Se depois desta jornada, estiver faminto, vá ao Arby's (Av. Paulista, 1904) e conheça a menina dos olhos do fast food da cidade. Sanduíches de Pão de Batata com Rosbife e uma batata frita diferente chamada Curly, temperada e em formato de rabo de porco (?!?). Maravilha !!!

Já devem ser lá pelas 6 da tarde de domingo e, se deu vontade de voltar pra conhecer o Memorial da América Latina, o MAM, o MASP e até a Bienal, a minha missão foi cumprida com louvor. Se não, você certamente sentiu-se um cidadão do mundo a 400 km de casa, e tem coisa melhor do que isso?