Cocteau Twins, "Squeeze-Wax".
Conseguiram neste álbum, "Four Calendar Café", chegar bem perto da perfeição. Essa é só mais uma das dezenas maravilhosas. Sinto saudade do que infelizmente não vi. Reverência com melancolia. Banzo?
Bauhaus, "Endless Summer Of The Damned".
Que retorno... simplesmente espetacular. Diferente de Echo e Mission que cumpriram tabela, eles realmente fizeram um lindo canto do cisne com "Go Away White".
Wonderland, "Non Compos Mentis".
Voltei a ouvir essa demo depois de uns 15 anos e a música título realmente era demais. Pena que a gravação não tenha ficado tão boa, especialmente por causa do vocalista que vos fala. Se assim já fez barulho, quem sabe com uma boa gravação a estória não teria sido diferente...?
Marillion, "Cover My Eyes".
Crucifiquem-me, mas Marillion com Steve Hogarth nem se compara com a era Fish. Essa na versão acústica arrebenta, apesar do melhor deles ter sido na estréia do Steve, "Seasons End".
a-ha, "Manhattan Skyline".
Essa música fica bem tanto acústica, quanto "versão fudêncio". Já resenhado no blog, esse álbum, "Scoundrel Days", é realmente ótimo. Pena que não vou conseguir me despedir deles na Farewell Tour...
sábado, março 13, 2010
sábado, março 06, 2010
Escolhas ou Pirataria Nos Anos 80
No auge da vontade de ser roqueiro, decidi que tinha que comprar um LP "pirata", ou seja, um "bootleg" como diriam os gringos. Não me lembro exatamente aonde, mas acho que foi numa loja no Edifício Central, na Carioca, que fiquei em dúvida entre dois álbuns diferentes: U2 e Venom.
Que diferença! A popice do U2 tinha me pegado - mas não de jeito - com o War (83), já resenhado aqui no blog. O problema era a "vontade" de virar metaleiro. Também, depois de ter comprado o ingresso pro dia do Metal no Rock In Rio I (19/01/1985), e não ter ido porque chovia cântaros, o mínimo que eu podia fazer era recuperar o tempo perdido radicalizando um pouquinho. O nome da banda era maneiro, a capa tinha os "figuras" escabrosos da banda e ainda era cheio de caveiras e ossos, pra completar. Foi páreo fácil, apesar do medo de não gostar do piratão.
Mas quem disse que eu não ia gostar? Com 13 anos a gente "se puxa" (ou seja, se esforça, como diriam os gaúchos), pra não ser igual, e comigo não foi diferente (ê trocadilho infame!). Acabei comprando outro disco do Venom, "At War With Satan", num sebo, por tipo "50 centavos", e tentei forte, mas sinceramente nunca gostei de verdade dos caras...
Afinal, não que o do U2 também não fosse esse fiasco "técnico", pois se naquela época até as prensagens oficiais eram meia-boca e as impressões também deixavam a desejar, quanto mais um piratão. Enfim, no final das contas, pensando bem, o do U2 era (é?) muito mais disco, com as ótimas "The Electric Co." e "I Will Follow", apesar de também já não fazerem minha cabeça há bastante tempo.
Outra informação relevante é que "os pirata" era caro pra caramba! Tipo três vezes o valor de um LP, ou seja, chutando nos valores de hoje, tipo uns 100 reais... Eu só consegui comprar esse do Venom porque tirei segundo lugar num bolão da Copa de 1986 com mais de 100 pessoas e o prêmio varava 1000 reais. Queria comprar uma guitarra, mas meu padrasto não deixou. Aí acabei gastando em um monte de besteiras, tipo esse pirata do Venom! Entre outras coisas, comprei um monte de álbuns, como o Rádio Pirata Ao Vivo do RPM e um Rádio-Gravador Panasonic.
Pois é, comparar a pirataria daquela época com a de hoje é covardia. Até porque o must da "pirataria" era gravar as fitinhas K7 com os discos emprestados dos amigos, ou dos amigos dos amigos, ou até mesmo dos amigos dos amigos dos amigos... mas isso é assunto para um outro post.
P.S.: Resolvi ouvir de novo esse disco do Venom (20 anos depois! e dá-lhe os mp3 da vida), e até que eles não são tão ruins... o At War é fraco mesmo, mas nesse ao vivo eles estão melhores que Mötorhead.
Que diferença! A popice do U2 tinha me pegado - mas não de jeito - com o War (83), já resenhado aqui no blog. O problema era a "vontade" de virar metaleiro. Também, depois de ter comprado o ingresso pro dia do Metal no Rock In Rio I (19/01/1985), e não ter ido porque chovia cântaros, o mínimo que eu podia fazer era recuperar o tempo perdido radicalizando um pouquinho. O nome da banda era maneiro, a capa tinha os "figuras" escabrosos da banda e ainda era cheio de caveiras e ossos, pra completar. Foi páreo fácil, apesar do medo de não gostar do piratão.
Mas quem disse que eu não ia gostar? Com 13 anos a gente "se puxa" (ou seja, se esforça, como diriam os gaúchos), pra não ser igual, e comigo não foi diferente (ê trocadilho infame!). Acabei comprando outro disco do Venom, "At War With Satan", num sebo, por tipo "50 centavos", e tentei forte, mas sinceramente nunca gostei de verdade dos caras...Vale ressaltar que a qualidade da impressão da capa e da prensagem do vinil eram péssimas (sem falar na capa totalmente tosca, que trazia uma cópia frontal da capa da versão em vídeo, meio que no tamanho original, circundada por branco pra ficar mais barato), bem como a falta de cuidado com o som da gravação (que deve ter sido copiada do original em VHS sabe lá como!) e o selo interno que também era simplesmente branco e toda vez era uma emoção descobrir qual era o lado certo, até que eu percebesse que no espaço entre o final dos sulcos e o selo branco havia umas coisas escritas e lá devia ter um número 1 ou 2 pra ajudar - e olhe lá!
Afinal, não que o do U2 também não fosse esse fiasco "técnico", pois se naquela época até as prensagens oficiais eram meia-boca e as impressões também deixavam a desejar, quanto mais um piratão. Enfim, no final das contas, pensando bem, o do U2 era (é?) muito mais disco, com as ótimas "The Electric Co." e "I Will Follow", apesar de também já não fazerem minha cabeça há bastante tempo.Outra informação relevante é que "os pirata" era caro pra caramba! Tipo três vezes o valor de um LP, ou seja, chutando nos valores de hoje, tipo uns 100 reais... Eu só consegui comprar esse do Venom porque tirei segundo lugar num bolão da Copa de 1986 com mais de 100 pessoas e o prêmio varava 1000 reais. Queria comprar uma guitarra, mas meu padrasto não deixou. Aí acabei gastando em um monte de besteiras, tipo esse pirata do Venom! Entre outras coisas, comprei um monte de álbuns, como o Rádio Pirata Ao Vivo do RPM e um Rádio-Gravador Panasonic.
Pois é, comparar a pirataria daquela época com a de hoje é covardia. Até porque o must da "pirataria" era gravar as fitinhas K7 com os discos emprestados dos amigos, ou dos amigos dos amigos, ou até mesmo dos amigos dos amigos dos amigos... mas isso é assunto para um outro post.
P.S.: Resolvi ouvir de novo esse disco do Venom (20 anos depois! e dá-lhe os mp3 da vida), e até que eles não são tão ruins... o At War é fraco mesmo, mas nesse ao vivo eles estão melhores que Mötorhead.
sábado, fevereiro 27, 2010
A Quantos Shows Você Já Foi?
Coloquei na lista só os mais representativos, sem demérito nenhum às dezenas de shows de ótimas bandas underground como Gangrena Gasosa, Second Come, Dust From Misery, entre várias outras!
Pra ver cada um deles no detalhe, é só clicar na figura à esquerda.
Pra ver cada um deles no detalhe, é só clicar na figura à esquerda.
sábado, dezembro 12, 2009
As Cinco Músicas Mais Ouvidas Nas Últimas Semanas
"Just A Man", Faith No More
"Bricks And Mortar", Editors
"Some Heads Are Gonna Roll", Judas Priest
"A Pain That I'm Used To", Depeche Mode
"11 y 6", Fito Paez
As explicações virão em seguida... ou não!
"Bricks And Mortar", Editors
"Some Heads Are Gonna Roll", Judas Priest
"A Pain That I'm Used To", Depeche Mode
"11 y 6", Fito Paez
As explicações virão em seguida... ou não!
sábado, agosto 22, 2009
Como lidar com a morte?
(Texto originalmente publicado em 2000 no meu sítio atualmente desativado, pode conter links "quebrados")
Desta vez só vou insensatamente jogar pedras n'água e fazer com que os respingos suscitem a auto-análise, pois longe de mim tentar concluir algo sobre a morte. Afinal, como diria o cineasta polonês Andrzej Wazda, "The most important thing is to make people think" (A coisa mais importante é fazer as pessoas pensarem).
A morte de outrem não é mais que uma extrapolação do sentimento de perda. Todos nós convivemos periodicamente com este sentimento. Verdade que muitas vezes a perda é transitória, mas algumas vezes não. E por que então a morte assusta tanto? Jogadores "natos" têm como uma habilidade a capacidade de aceitar este sentimento com muita freqüência, talvez devido à super-exposição. Procurei por algo que sustentasse esta minha teoria psicológica, mas infelizmente nada encontrei. Então por que, para nós, reles mortais, é tão difícil aceitar a perda?
Morrer também é outra tarefa difícil de aceitar. Mas e o que dizer das pessoas que querem morrer? Tentei também, em vão, procurar métodos indolores para provocar a "auto-morte". Porém, depois de uma hora procurando, deparei-me com a constatação de que se houvesse um sítio com dicas sobre "como suicidar-se sem sentir dor", além do número de acessos elevadíssimo, a taxa de suicídio certamente aumentaria horrores. Me lembro que uma vez alguém lançou um livro com um título parecido, mas se a censura existe na Internet, ela provavelmente veta páginas deste tipo...
Sempre tendemos a achar que somos "novos demais para morrer" e vejo que isto está na maioria das vezes associado à quantidade de projetos (sonhos?) que temos a realizar. A chave da questão é que a felicidade está em crer que os projetos nunca acabam, mas a vida sim. Portanto, devemos estar sempre preparados para a morte - desde que ela não seja dolorosa, claro. E se ela será daqui a 3 ou 50 anos, não acredito que seja o mais importante.
Pelo sim, pelo não, fiz o teste da morte em The Spark.com. De acordo com os resultados gerados através das respostas de 100 perguntas, a data prevista para a minha morte seria em 22 de julho de 2058, com 85 anos de idade. Enfim, o cálculo da "sobrevida" está nitidamente associado à capaciade (coragem?) de ser "porra louca" e os próprios criadores do sítio alegam que se fôssemos como eles, provavelmente já estaríamos mortos!
Há quem goste de chegar perto e voltar. A experiência de ter tido uma EQM (Experiência de Quase-Morte), ou o que os americanos chamam de NDE (Near Death Experience), pode ser deveras excitante, inclusive como mostra o filme "Linha Mortal". Bastante gente leva a sério o assunto e a "ciência" têm lá suas metodologias para induzir e potencializar os efeitos da EQM.
A filosofia de "morrer antes que os sinais da velhice apareçam" tem milhares de seguidores pelo mundo afora. Um curador de renome, Martin Maloney, resolveu criar em 1998 uma "coletânea" de esculturas de novos artistas em um projeto intitulado "Die young, stay pretty". Esta frase tem sido citada várias vezes em locais insólitos ao longo dos anos. Por exemplo, a banda Blondie, dos hits "Heart of glass" e "The tide is high", que depois de 15 após o seu término resolveu voltar à ativa recentemente, já citava esta frase em 1979, em uma música de mesmo nome.
Glenn 'Artboy' Zucman, um designer alemão, também cita a frase no seu sítio - com fractais muito interessantes, diga-se de passagem - quando faz observações sobre "almas e fatos", como ele mesmo diz, em uma crônica muito interessante sobre Sheck Exley, um matemático e estatístico que praticou durante 22 anos 'scuba diving' e escreveu dezenas de livros de renome sobre o assunto, onde comumente citava a célebre frase "somente uma pequena percentagem dos acidentes envolvendo mergulhadores experientes acontece ao mergulhar em cavernas muito fundas".
Portanto, Como Queríamos Demonstrar - o matemático Exley diria - as estatísticas não se sustentam quando a vida é posta em cheque. Mas se morremos fazendo o que mais gostamos, isso é a garantia de uma morte feliz? Como a vida "tem dessas coisas" (e a morte também, porque não?), nem seria preciso dizer que Exley morreu exatamente desta maneira em 1994, aos 45 anos, depois de ter realizado mais de 4.000 mergulhos, em uma caverna de 330 metros de profundidade no México.
Falando em México, o dia dos mortos provavelmente é a festividade mais popular por lá e teve a sua origem com os indígenas da região. Esta reunião tem como princípio a felicidade, ao contrário da tristeza habitualmente associada à morte. As crenças dos mexicanos dizem que oferendas fariam "a viagem até a morte" mais fácil. Entre as oferendas, o "pão do morto" é a mais interessante, em forma de um ser humano com um desenho de ossos cruzados. Outra bem popular é o "crânio de Marzipan". Entre as tumbas, pessoas tocam músicas, correm pelas ruas fantasiadas e festejam. As velas e os incensos, a comida e as bebidas, a música e as fantasias são apenas atrações para uma celebração da vida, e lembrar e honrar os mortos, para que habitem novamente por alguns momentos o mundo dos vivos. Uma exposição permanente muito interessante com algumas obras sobre este assunto pode ser encontrada no Memorial da América Latina, em São Paulo.
Dentro desse princípio, muito antes de conhecer a filosofia do dia dos mortos, eu sempre imaginei que a minha morte mereceria uma festa. Não do tipo "Ainda bem que aquele mala foi dessa pra melhor", mas para que pelo menos fosse fosse feito o exercício de celebrar a oportunidade de ter conhecido alguém especial. Pretensão? Claro... mas no fundo isso é o que talvez devêssemos fazer a todo momento. Afinal, a louvação não deveria ser só para religiosos e nem só a deuses.
E já que um ateu falou de deuses, finalizando eu gostaria de citar especialmente Nietzsche - o mais ateu dos ateus - concordando em gênero, número e grau com ele, quando "assim falou", entre outras frases inspiradíssimas: "A intensidade de minha emoção me fez tremer e rir. Minha melancolia quer descansar nos abismos da perfeição: para isto necessito de música. Não há melhor mel que aquele do conhecimento. No seu último sopro, ele criará a alegria de conhecer as nuvens que pesam sobre sua tristeza, será para você os seios, onde você poderá tirar o leite de seu reconforto e fará com que você se volte para a luz!". Outro fã de Nietzsche era Richard Strauss, que deu o nome da obra mais representativa de Nietzsche a uma de suas melhores peças musicais, "Assim falou Zarathustra", que não por acaso pontua uma das cenas mais belas do cinema em "2001 - Uma Odisséia no Espaço", de Stanley Kubrick, quando o monolito jogado ao léu faz um estupendo contraponto entre o homo sapiens e o homo "espacius".
Mas o magnífico Kubrick já é papo pra uma outra conversa... Até a próxima!
Desta vez só vou insensatamente jogar pedras n'água e fazer com que os respingos suscitem a auto-análise, pois longe de mim tentar concluir algo sobre a morte. Afinal, como diria o cineasta polonês Andrzej Wazda, "The most important thing is to make people think" (A coisa mais importante é fazer as pessoas pensarem).
A morte de outrem não é mais que uma extrapolação do sentimento de perda. Todos nós convivemos periodicamente com este sentimento. Verdade que muitas vezes a perda é transitória, mas algumas vezes não. E por que então a morte assusta tanto? Jogadores "natos" têm como uma habilidade a capacidade de aceitar este sentimento com muita freqüência, talvez devido à super-exposição. Procurei por algo que sustentasse esta minha teoria psicológica, mas infelizmente nada encontrei. Então por que, para nós, reles mortais, é tão difícil aceitar a perda?
Morrer também é outra tarefa difícil de aceitar. Mas e o que dizer das pessoas que querem morrer? Tentei também, em vão, procurar métodos indolores para provocar a "auto-morte". Porém, depois de uma hora procurando, deparei-me com a constatação de que se houvesse um sítio com dicas sobre "como suicidar-se sem sentir dor", além do número de acessos elevadíssimo, a taxa de suicídio certamente aumentaria horrores. Me lembro que uma vez alguém lançou um livro com um título parecido, mas se a censura existe na Internet, ela provavelmente veta páginas deste tipo...
Sempre tendemos a achar que somos "novos demais para morrer" e vejo que isto está na maioria das vezes associado à quantidade de projetos (sonhos?) que temos a realizar. A chave da questão é que a felicidade está em crer que os projetos nunca acabam, mas a vida sim. Portanto, devemos estar sempre preparados para a morte - desde que ela não seja dolorosa, claro. E se ela será daqui a 3 ou 50 anos, não acredito que seja o mais importante.
Pelo sim, pelo não, fiz o teste da morte em The Spark.com. De acordo com os resultados gerados através das respostas de 100 perguntas, a data prevista para a minha morte seria em 22 de julho de 2058, com 85 anos de idade. Enfim, o cálculo da "sobrevida" está nitidamente associado à capaciade (coragem?) de ser "porra louca" e os próprios criadores do sítio alegam que se fôssemos como eles, provavelmente já estaríamos mortos!
Há quem goste de chegar perto e voltar. A experiência de ter tido uma EQM (Experiência de Quase-Morte), ou o que os americanos chamam de NDE (Near Death Experience), pode ser deveras excitante, inclusive como mostra o filme "Linha Mortal". Bastante gente leva a sério o assunto e a "ciência" têm lá suas metodologias para induzir e potencializar os efeitos da EQM.
A filosofia de "morrer antes que os sinais da velhice apareçam" tem milhares de seguidores pelo mundo afora. Um curador de renome, Martin Maloney, resolveu criar em 1998 uma "coletânea" de esculturas de novos artistas em um projeto intitulado "Die young, stay pretty". Esta frase tem sido citada várias vezes em locais insólitos ao longo dos anos. Por exemplo, a banda Blondie, dos hits "Heart of glass" e "The tide is high", que depois de 15 após o seu término resolveu voltar à ativa recentemente, já citava esta frase em 1979, em uma música de mesmo nome.
Glenn 'Artboy' Zucman, um designer alemão, também cita a frase no seu sítio - com fractais muito interessantes, diga-se de passagem - quando faz observações sobre "almas e fatos", como ele mesmo diz, em uma crônica muito interessante sobre Sheck Exley, um matemático e estatístico que praticou durante 22 anos 'scuba diving' e escreveu dezenas de livros de renome sobre o assunto, onde comumente citava a célebre frase "somente uma pequena percentagem dos acidentes envolvendo mergulhadores experientes acontece ao mergulhar em cavernas muito fundas".
Portanto, Como Queríamos Demonstrar - o matemático Exley diria - as estatísticas não se sustentam quando a vida é posta em cheque. Mas se morremos fazendo o que mais gostamos, isso é a garantia de uma morte feliz? Como a vida "tem dessas coisas" (e a morte também, porque não?), nem seria preciso dizer que Exley morreu exatamente desta maneira em 1994, aos 45 anos, depois de ter realizado mais de 4.000 mergulhos, em uma caverna de 330 metros de profundidade no México.
Falando em México, o dia dos mortos provavelmente é a festividade mais popular por lá e teve a sua origem com os indígenas da região. Esta reunião tem como princípio a felicidade, ao contrário da tristeza habitualmente associada à morte. As crenças dos mexicanos dizem que oferendas fariam "a viagem até a morte" mais fácil. Entre as oferendas, o "pão do morto" é a mais interessante, em forma de um ser humano com um desenho de ossos cruzados. Outra bem popular é o "crânio de Marzipan". Entre as tumbas, pessoas tocam músicas, correm pelas ruas fantasiadas e festejam. As velas e os incensos, a comida e as bebidas, a música e as fantasias são apenas atrações para uma celebração da vida, e lembrar e honrar os mortos, para que habitem novamente por alguns momentos o mundo dos vivos. Uma exposição permanente muito interessante com algumas obras sobre este assunto pode ser encontrada no Memorial da América Latina, em São Paulo.
Dentro desse princípio, muito antes de conhecer a filosofia do dia dos mortos, eu sempre imaginei que a minha morte mereceria uma festa. Não do tipo "Ainda bem que aquele mala foi dessa pra melhor", mas para que pelo menos fosse fosse feito o exercício de celebrar a oportunidade de ter conhecido alguém especial. Pretensão? Claro... mas no fundo isso é o que talvez devêssemos fazer a todo momento. Afinal, a louvação não deveria ser só para religiosos e nem só a deuses.
E já que um ateu falou de deuses, finalizando eu gostaria de citar especialmente Nietzsche - o mais ateu dos ateus - concordando em gênero, número e grau com ele, quando "assim falou", entre outras frases inspiradíssimas: "A intensidade de minha emoção me fez tremer e rir. Minha melancolia quer descansar nos abismos da perfeição: para isto necessito de música. Não há melhor mel que aquele do conhecimento. No seu último sopro, ele criará a alegria de conhecer as nuvens que pesam sobre sua tristeza, será para você os seios, onde você poderá tirar o leite de seu reconforto e fará com que você se volte para a luz!". Outro fã de Nietzsche era Richard Strauss, que deu o nome da obra mais representativa de Nietzsche a uma de suas melhores peças musicais, "Assim falou Zarathustra", que não por acaso pontua uma das cenas mais belas do cinema em "2001 - Uma Odisséia no Espaço", de Stanley Kubrick, quando o monolito jogado ao léu faz um estupendo contraponto entre o homo sapiens e o homo "espacius".
Mas o magnífico Kubrick já é papo pra uma outra conversa... Até a próxima!
sábado, julho 29, 2006
Editors: A Melhor Estréia desde Franz Ferdinand!
É muito difícil citar somente uma música do fantástico álbum "The Back Room". Qualquer dia desses escrevo uma resenha sobre ele, já que estou ouvindo esse álbum de estréia do Editors há uns dois meses e a cada semana gosto mais de uma música diferente. Desde ontem estou ouvindo compulsivamente essa aí de baixo.
terça-feira, julho 18, 2006
As Cinco Músicas Mais Ouvidas Na Última Semana
Guillemots, "Trains To Brazil"
Muito interessante essa novíssima banda londrina, que conta com um brasileiro. O som remete a Clash, Beatles e outras coisas bem legais que não me lembro agora. E a letra é bem acima da média.
Morrissey, "The Youngest Was The Most Loved"
Esse cara é hors-concours. Mas colocando um coral de criancinhas pra cantar as suas angústias ele se superou.
Joe Satriani, "The Crush Of Love"
Não ouvia essa música há uns 15 anos, pelo menos. Ao ver o DVD "Live In San Francisco", refresquei minha memória de que virtuosismo não é sinônimo de falta de lirismo. E isso ele prova desde o primeiro disco, de 1986.
Editors, "Bullets"
Uma das melhores primeiras frases de canções já vistas, que eu gostaria muito de acreditar ser verdadeira... Uma das melhores estréias da década... Depois do Franz Ferdinand, minha última paixão da safra das emuladoras dos anos 80.
Arctic Monkeys, "Riot Van"
Aqui, o contrário. Uma das bandas novas mais incensadas pela crítica que não achei grande coisa. Mas essa música é muito linda. Sem falar no carregadíssimo sotaque inglês, que dá uma saudade...
Muito interessante essa novíssima banda londrina, que conta com um brasileiro. O som remete a Clash, Beatles e outras coisas bem legais que não me lembro agora. E a letra é bem acima da média.
Morrissey, "The Youngest Was The Most Loved"
Esse cara é hors-concours. Mas colocando um coral de criancinhas pra cantar as suas angústias ele se superou.
Joe Satriani, "The Crush Of Love"
Não ouvia essa música há uns 15 anos, pelo menos. Ao ver o DVD "Live In San Francisco", refresquei minha memória de que virtuosismo não é sinônimo de falta de lirismo. E isso ele prova desde o primeiro disco, de 1986.
Editors, "Bullets"
Uma das melhores primeiras frases de canções já vistas, que eu gostaria muito de acreditar ser verdadeira... Uma das melhores estréias da década... Depois do Franz Ferdinand, minha última paixão da safra das emuladoras dos anos 80.
Arctic Monkeys, "Riot Van"
Aqui, o contrário. Uma das bandas novas mais incensadas pela crítica que não achei grande coisa. Mas essa música é muito linda. Sem falar no carregadíssimo sotaque inglês, que dá uma saudade...
quinta-feira, abril 20, 2006
Carmem Miranda Reloaded contra o Samba-Caos do Vzyadoq Moe
Não há como negar que Marisa é altamente empreendedora. A elaboração de um dos seus mais novos álbuns somente vem ratificar este fato, ao passo que parece ter saído de uma das linhas de produção da sua "empresa", obviamente atendendo aos seus altíssimos padrões de qualidade. Entretanto, a revelação dos meandres desta criação foi evitada a todo custo pela assessoria de imprensa da Marisa Monte Produções (MMP), inclusive com ameaças de várias sortes ao autor deste relato. Porém, a necessidade da divulgação do relato sobre o processo, inclusive com detalhes sobre a estrutura organizacional da "holding" de Marisa, que surpreendentemente traz algumas das mais conhecidas ferramentas de gestão empresarial, parecia urgente, visto que a equivocada e repetida categorização dos seus produtos como contenedores de uma pretensa aura de originalidade e não menos importante, modernidade, não deve persistir mais nem um instante.
Tudo começou com um "briefing" que foi entregue à área de Marketing da MMP pela presidente da "holding", a própria Marisa Monte, sobre um dos novos projetos que deveriam acontecer ao longo de 2005. Transcrevendo palavras da própria Marisa, cito uma frase que revela-se seminal no entendimento da questão: "O produto deve agradar a gregos, troianos, sérvios e montenegros - aliás, principalmente os Monte e os negros - visando consolidar a minha posição de diva da música brasileira e pavimentar o meu trajeto ao mercado externo de modo triunfal".
A área de Marketing teve bastante trabalho para desenvolver o produto a partir do "briefing" da presidente. Foram muitas noites em claro envolvendo análises de dados de vendas de CDs/DVDs, pesquisas exaustivas com consumidores, reuniões com agências de propaganda e publicidade para finalmente chegar ao produto que catapultaria Marisa ao estrelato mundial.
A descrição do produto que foi entregue à área de Pesquisa e Desenvolvimento da MMP foi a seguinte: "Um disco contido somente com sambas de raiz, porém com caules emblemáticos e icônicos visando dar sustentação, além de folhas de aromas solenes e nobres, entretanto acompanhadas de frutos modernos modificados geneticamente trazendo sabores inusitados e refrescantes".
O chefe do laboratório de P&D, Sr. Dexter, coordenou a alquimia que levaria ao produto final. Muito aplicado, conhecia Marisa há muito tempo e sabia de antemão que o produto deveria trazer ingredientes riquíssimos, porém nunca deixando de ter várias notas de dejá-vu - e essa é a maior das tônicas dos produtos da MMP - visando cativar o consumidor a partir de um estágio posterior na identificação das referências do produto, onde a etapa da estranheza - natural em todas as novidades genuínas - é postergada em prol da acelerada massificação dos produtos.
Nasce então, "Universo Ao Meu Redor". Revelada a receita, é fácil entender como foi fabricado o produto e verificar que trata-se de um embuste, ainda que pretensamente camuflado com elementos pretensamente inovadores e criativos. A primeira matéria-prima a entrar no processo foi o ícone da brasilidade reconhecidamente vencedor no mercado externo, Carmem Miranda. Retiram-se os balangandãs, a voz de taquara rachada, a babação de ovo desmedida dos "states", a coreografia de pornochanchada. O Bando da Lua, a banda de apoio de também dança. Será substituído pelo primeiro ingrediente pretensamente moderno e quase homônimo, o DJ Marcelinho Da Lua. "Os ravers vão adorar quando colocarmos uma batida de funk no samba", dizia Dexter, continuando a relatar o processo, eufórico: "Precisávamos de mais novidades, aí pensei: que tal colocarmos pitadas de instrumentos inusitados ao samba como tubas, cellos e theremins? Vai ficar muito chique e o Zeca nunca teria pensado nisso!".
Uma pitada de descuido da segurança da MMP fez com que a irmã mais nova do Sr. Dexter, Didi, fosse ao laboratório - como era de costume - e começasse a mexer de maneira errática nos equipamentos até que fosse interpelada por um dos funcionários do laboratório. Coincidência ou não, após este fato, a matriz do novo álbum de Marisa foi totalmente alterada, como se tivesse sido infectada por algum vírus que alterasse completamente todas as camadas sonoras, criando um produto novo e inusitado.
Por coincidência, ao visitar a MMP para escrever uma resenha sobre o making-of do disco, pude ouvir algumas das faixas "alteradas" e fiquei extasiado. O que foi gerado por obra do acaso (verdadeiro e não manipulado) parecia diferente, inquietante, contundente, angustiado, melancólico, fatalítico, confrontador, porém nada disso poderia ser esperado de Marisa. Ela entrou em pânico quando viu parte de suas criações mutiladas e mesmo que seu susto não tivesse sido fatal devido ao fato de que a área de TI da MMP tinha disponível o back-up das gravações originais, ordenou que Dexter destruísse as matrizes infectadas pelo vírus.
Enfim, a versão "virótica" provavelmente nunca será de domínio público e é uma pena que sejamos privados de conhecer a Marisa Errática, mas aqui cabe fazer uma analogia, e o som mais próximo que poderemos reproduzir para retratar, ainda que em pequenas nuances, aquela obra do fim do mundo é o samba-caos "Redenção", do Vzyadoq Moe, banda sorocabana do final da década de 80 que misturou Jackson do Pandeiro com Clarice Lispector, passando pelo Joy Division e pelo Dadaísmo.
Os responsáveis pelo desenvolvimento do vírus que infectou o Pro Tools da MMP até agora não foram descobertos. Que não sejam jamais e consigam inocular o mais rápido possível a Zélia Duncan e a Ana Carolina!
Tudo começou com um "briefing" que foi entregue à área de Marketing da MMP pela presidente da "holding", a própria Marisa Monte, sobre um dos novos projetos que deveriam acontecer ao longo de 2005. Transcrevendo palavras da própria Marisa, cito uma frase que revela-se seminal no entendimento da questão: "O produto deve agradar a gregos, troianos, sérvios e montenegros - aliás, principalmente os Monte e os negros - visando consolidar a minha posição de diva da música brasileira e pavimentar o meu trajeto ao mercado externo de modo triunfal".
A área de Marketing teve bastante trabalho para desenvolver o produto a partir do "briefing" da presidente. Foram muitas noites em claro envolvendo análises de dados de vendas de CDs/DVDs, pesquisas exaustivas com consumidores, reuniões com agências de propaganda e publicidade para finalmente chegar ao produto que catapultaria Marisa ao estrelato mundial.
A descrição do produto que foi entregue à área de Pesquisa e Desenvolvimento da MMP foi a seguinte: "Um disco contido somente com sambas de raiz, porém com caules emblemáticos e icônicos visando dar sustentação, além de folhas de aromas solenes e nobres, entretanto acompanhadas de frutos modernos modificados geneticamente trazendo sabores inusitados e refrescantes".
O chefe do laboratório de P&D, Sr. Dexter, coordenou a alquimia que levaria ao produto final. Muito aplicado, conhecia Marisa há muito tempo e sabia de antemão que o produto deveria trazer ingredientes riquíssimos, porém nunca deixando de ter várias notas de dejá-vu - e essa é a maior das tônicas dos produtos da MMP - visando cativar o consumidor a partir de um estágio posterior na identificação das referências do produto, onde a etapa da estranheza - natural em todas as novidades genuínas - é postergada em prol da acelerada massificação dos produtos.
Nasce então, "Universo Ao Meu Redor". Revelada a receita, é fácil entender como foi fabricado o produto e verificar que trata-se de um embuste, ainda que pretensamente camuflado com elementos pretensamente inovadores e criativos. A primeira matéria-prima a entrar no processo foi o ícone da brasilidade reconhecidamente vencedor no mercado externo, Carmem Miranda. Retiram-se os balangandãs, a voz de taquara rachada, a babação de ovo desmedida dos "states", a coreografia de pornochanchada. O Bando da Lua, a banda de apoio de também dança. Será substituído pelo primeiro ingrediente pretensamente moderno e quase homônimo, o DJ Marcelinho Da Lua. "Os ravers vão adorar quando colocarmos uma batida de funk no samba", dizia Dexter, continuando a relatar o processo, eufórico: "Precisávamos de mais novidades, aí pensei: que tal colocarmos pitadas de instrumentos inusitados ao samba como tubas, cellos e theremins? Vai ficar muito chique e o Zeca nunca teria pensado nisso!".
Uma pitada de descuido da segurança da MMP fez com que a irmã mais nova do Sr. Dexter, Didi, fosse ao laboratório - como era de costume - e começasse a mexer de maneira errática nos equipamentos até que fosse interpelada por um dos funcionários do laboratório. Coincidência ou não, após este fato, a matriz do novo álbum de Marisa foi totalmente alterada, como se tivesse sido infectada por algum vírus que alterasse completamente todas as camadas sonoras, criando um produto novo e inusitado.
Por coincidência, ao visitar a MMP para escrever uma resenha sobre o making-of do disco, pude ouvir algumas das faixas "alteradas" e fiquei extasiado. O que foi gerado por obra do acaso (verdadeiro e não manipulado) parecia diferente, inquietante, contundente, angustiado, melancólico, fatalítico, confrontador, porém nada disso poderia ser esperado de Marisa. Ela entrou em pânico quando viu parte de suas criações mutiladas e mesmo que seu susto não tivesse sido fatal devido ao fato de que a área de TI da MMP tinha disponível o back-up das gravações originais, ordenou que Dexter destruísse as matrizes infectadas pelo vírus.
Enfim, a versão "virótica" provavelmente nunca será de domínio público e é uma pena que sejamos privados de conhecer a Marisa Errática, mas aqui cabe fazer uma analogia, e o som mais próximo que poderemos reproduzir para retratar, ainda que em pequenas nuances, aquela obra do fim do mundo é o samba-caos "Redenção", do Vzyadoq Moe, banda sorocabana do final da década de 80 que misturou Jackson do Pandeiro com Clarice Lispector, passando pelo Joy Division e pelo Dadaísmo.Os responsáveis pelo desenvolvimento do vírus que infectou o Pro Tools da MMP até agora não foram descobertos. Que não sejam jamais e consigam inocular o mais rápido possível a Zélia Duncan e a Ana Carolina!
sábado, outubro 22, 2005
Os Emuladores dos Anos 80
Portanto, o Kaiser Chiefs é um Clash revisitado, o Interpol é o novo Joy Division, o Killers lembra um Fine Young Cannibals com menos soul e mais guitarra, no Bloc Party ouvimos ecos de Cure, o Hot Hot Heat bebe da fonte dos New Romantic - movimento do início da década de 80 que tinha como expoente máximo o Duran Duran - e o Franz Ferdinand, ligeiramente mais esquizofênico que os demais, mistura o groove do Blondie, o minimalismo do Devo e a raiva contida do Pixies, destacando-se como a melhor banda da safra, ou a cereja do bolo, como queiram...
Tudo bem, alguns irão dizer que é tudo cópia, outros que é inspiração com um pouquinho de transpiração, mas a verdade é que em vez de somente ter destilado bons ingredientes, a geração bem que podia ter usado um liquidificador, para tentar criar um sabor que, além de inegavelmente fresco, fosse também diferente.
sábado, outubro 08, 2005
Que venha a noite !
Revi recentemente o filme "Bring On The Night" do Sting, movido pelo seu relançamento em DVD. Não há muita novidade - apenas clipes da época e fotos pouco inspiradas - a não ser pelas legendas, que ajudam a conhecer melhor o corpo (e a alma!) do The Police. O filme retrata o nascimento do repertório moldado com a ajuda de músicos da escola jazzística para a sua primeira turnê solo. Aliás, uma boa parte das canções interpretadas nessa turnê derivaram do seu primeiro álbum, "The Dream Of The Blue Turtles", que inclusive foi indicado ao Grammy de melhor álbum de Jazz - segundo Sting, para o seu desespero e posterior alívio por não ter ganhado o prêmio! Aproveitando a deixa, o próprio acabou de tecer comentários interessantes no seu sítio sobre este álbum, aproveitando seu 20º aniversário de lançamento.Pois já em 1985, o professor era pretensioso e arrogante - imagem talvez cristalizada hoje em dia - mas inimaginável na época em que eu ouvia o disco duplo e delirava com os arranjos "jazzy" das delícias pop de Sting. Até hoje acho uma perfeita porta de entrada para se entender o Fusion (mistura de Jazz e Rock), visto que acabei me enveredando pelos caminhos de Stanley Jordan, Chick Corea e Spyro Gyra, mas não consegui evoluir na paixão pelo gênero até hoje - John Coltrane e Dave Brubeck para mim ainda são como "one hit wonders", rótulo clássico daqueles artistas onde um único sucesso passa a ser sua referência musical. Portanto, virtuosismo para mim, só com muitas pitadas de Pop, como fez muito bem, por exemplo, o Rush, a partir da década de 80.
Voltando ao Sting, não sei se pela falta de inspiração ou pela vontade de se enveredar por projetos mais arriscados que os musicais, ele resolveu fundar a ONG Mata Virgem no Brasil para captar recursos a favor da causa do índios caiapós e da floresta amazônica, hoje chamada de Rainforest Foundation. Não discuto a nobreza do gesto, mas o fato é que paralelamente o cara acabou perdendo a noção do ridículo. O antropólogo e cientista Walter Alves Neves, que também atuou como assessor da ONG, resumiu bem a questão, em entrevista para a Folha em 2002: "O Sting tinha um coração de ouro, coitado, mas, na questão antropológica, ele só tinha dois neurônios".
Este comentário curioso vai de encontro com um fato inusitado que ocorreu comigo em meados de 1992. Estava eu no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro quando me deparei com um sujeito de boina quadriculada, tênis bamba, calça surrada, óculos escuros, branquelo e com pinta de gringo e que parecia estar na mesma situação que eu: esperando alguém.
Pois bem, depois de alguns minutos observando o "gajo", dei-me conta de que aquele era o Sting. Mas como podia estar tão mulambento alguém aparentemente tão pintoso e vaidoso? Enfim, num rompante de tietagem, consegui papel e caneta e me aproximei para pedir um simples autógrafo. Gastei o meu melhor inglês para pedi-lo delicadamente, mas não é que o cara foi super grosso comigo dizendo que não queria ser percebido ali - dava pra notar pelos trajes à fantasia - e que eu ia estragar tudo se ele embarcasse na minha tietada?
Diante dessa, saí de fininho - muito irado - e levei uns bons anos pra botar algum outro disco do cara na vitrola...
sábado, outubro 01, 2005
Aposentadoria do Katrina
Sempre fiquei intrigado com a nomenclatura dos furacões. Não entendia bem o porquê dos nomes nmuito menos o porquê da ordem alfabética em que eles apareciam. Independente da catástrofe que aconteceu em Nova Orleans, o interessante é que quando um determinado nome está associado a um furacão que deu origens a eventos altamente catastróficos, ele sai da lista de nomes, que se repete a cada seis anos. Há muitos anos atrás, órgãos governamentais associados com o monitoramento dos furacões estudaram aspectos comportamentais e chegaram a conclusão de que chamá-los pelo nome seria mais eficaz em momentos de evacuação ou durante alertas nos noticiários.
Ou seja, isso ainda não foi confirmado, mas certamente o nome Katrina será aposentado desta lista. Com relação ao Rita, não sei, mas acredito que ele dance também. Será que no ritmo de Katrina & The Waves, uma banda new wave inglesa, conhecida pelo sucesso "Walking On Sunshine"? Mais detalhes no site do NHC.
Ou seja, isso ainda não foi confirmado, mas certamente o nome Katrina será aposentado desta lista. Com relação ao Rita, não sei, mas acredito que ele dance também. Será que no ritmo de Katrina & The Waves, uma banda new wave inglesa, conhecida pelo sucesso "Walking On Sunshine"? Mais detalhes no site do NHC.
terça-feira, abril 05, 2005
Morte do Papa e Ressureição da Bizz
Já que a dita cuja ensaia voltar às bancas no formato e freqüência em que foi consagrada ainda este mês vou ressucitar um post que coloquei no Orkut há mais de sete meses atrás...
Acho muito saudável discutir sobre um produto que seja vendedor e vencedor, todo mundo com um mínimo de vivência no mundo corporativo sabe como isso é vital, mas acho que produtos podem ter nichos, vendendo pouco e sendo lucrativos. Especificamente neste caso, na minha humilde opinião de leigo, a sinergia de uma boa estrutura de uma agência de notícias facilitaria muito as coisas. Enfim, continuo sentindo falta de uma boa revista de música no Brasil com tudo o que vocês vem falando por aqui e muito mais.
Afinal, a Bizz era uma "puta" revista sim! Pelo menos para quem era adolescente/jovem adulto e gostava de música na década de 80/começo de 90... para outros segmentos tenho minhas dúvidas. O fato é que opiniões inteligentes - concordemos ou não - são sempre instigantes e elas - inclusive proferidas por muitos do que estão por aqui - apareciam de sobra na maioria do conteúdo da revista. Afinal, do que precisam adolescentes? Formadores de opinião! Adultos querem um pouco mais do que isso - talvez usar sua bagagem para captar menos informação e discutir mais...
Portanto, sobre mídias digitais, mesmo que as tenhamos inseridas em avançados "gadgets" portáteis, nada se compara (ainda) à sensação de ter uma bela revista nas mãos. Ao mesmo tempo, não consigo mais me imaginar sem a Internet e adicionando vejo que as mídias não devem ser concorrentes e sim complementares. Por mais que Londres tenha jornais duas vezes ao dia, nada físico se comparará a esta velocidade que experimentamos neste meio, sem falar na interatividade. Nada contra os blogs - eles existirão na medida em que as pessoas sintam necessidade de dizer algo consistente que ainda não foi dito - mas não é difícil separar o joio do trigo. Ainda assim, um blogueiro "medíocre" e egocêntrico pode dizer uma ou outra coisa brilhante ou mesmo interessante.
Isso me remete a um papo recorrente sobre o papel do editor. Tirando a parte científica do processo de edição, inegavelmente necessária, a parte lúdica, ou seja, o "feeling" sobre as capas vendedoras é que me tira do sério. Como já foi dito aqui, em princípio, é totalmente incongruente achar que a Britney possa ser capa dessa possível revista, entendendo os assuntos e a profundidade do que seria tratado por lá. Talvez a atriz Juliette Lewis que acabou de lançar um disco e quer abrir a turnê do Darkness fosse suficientemente instigante por ser inusitada e não subestimaria os leitores. Agora, se a Britney tem conteúdo a ponto de gerar uma pauta que não agrida mentes minimamente pensantes, mudo de idéia... mas capa, de graça, não!
Finalizando, acho que há muita vida inteligente na crônica e na crítica jornalística cultural, só não sei se há público suficiente(mente) interessado nisso a ponto de viabilizar a manutenção de uma publicação, mas ainda assim me pergunto o que faz uma Abril acreditar em nichos atendidos por PHT, Mundo Estranho e Witch e não nessa sonhada revista sobre música ou sei lá mais o quê. Respondendo à pergunta do tópico, devo dizer que leio muita coisa do que foi falado aqui, mas como ninguém comentou, gostaria de incluir as seções de cultura dos grandes jornais, que na medida do possível, talvez subconscientemente, tentam preencher lacunas assistindo aos órfãos da Bizz.
Publicado em 21/8/2004 no Orkut
Acho muito saudável discutir sobre um produto que seja vendedor e vencedor, todo mundo com um mínimo de vivência no mundo corporativo sabe como isso é vital, mas acho que produtos podem ter nichos, vendendo pouco e sendo lucrativos. Especificamente neste caso, na minha humilde opinião de leigo, a sinergia de uma boa estrutura de uma agência de notícias facilitaria muito as coisas. Enfim, continuo sentindo falta de uma boa revista de música no Brasil com tudo o que vocês vem falando por aqui e muito mais.
Afinal, a Bizz era uma "puta" revista sim! Pelo menos para quem era adolescente/jovem adulto e gostava de música na década de 80/começo de 90... para outros segmentos tenho minhas dúvidas. O fato é que opiniões inteligentes - concordemos ou não - são sempre instigantes e elas - inclusive proferidas por muitos do que estão por aqui - apareciam de sobra na maioria do conteúdo da revista. Afinal, do que precisam adolescentes? Formadores de opinião! Adultos querem um pouco mais do que isso - talvez usar sua bagagem para captar menos informação e discutir mais...
Portanto, sobre mídias digitais, mesmo que as tenhamos inseridas em avançados "gadgets" portáteis, nada se compara (ainda) à sensação de ter uma bela revista nas mãos. Ao mesmo tempo, não consigo mais me imaginar sem a Internet e adicionando vejo que as mídias não devem ser concorrentes e sim complementares. Por mais que Londres tenha jornais duas vezes ao dia, nada físico se comparará a esta velocidade que experimentamos neste meio, sem falar na interatividade. Nada contra os blogs - eles existirão na medida em que as pessoas sintam necessidade de dizer algo consistente que ainda não foi dito - mas não é difícil separar o joio do trigo. Ainda assim, um blogueiro "medíocre" e egocêntrico pode dizer uma ou outra coisa brilhante ou mesmo interessante.
Isso me remete a um papo recorrente sobre o papel do editor. Tirando a parte científica do processo de edição, inegavelmente necessária, a parte lúdica, ou seja, o "feeling" sobre as capas vendedoras é que me tira do sério. Como já foi dito aqui, em princípio, é totalmente incongruente achar que a Britney possa ser capa dessa possível revista, entendendo os assuntos e a profundidade do que seria tratado por lá. Talvez a atriz Juliette Lewis que acabou de lançar um disco e quer abrir a turnê do Darkness fosse suficientemente instigante por ser inusitada e não subestimaria os leitores. Agora, se a Britney tem conteúdo a ponto de gerar uma pauta que não agrida mentes minimamente pensantes, mudo de idéia... mas capa, de graça, não!
Finalizando, acho que há muita vida inteligente na crônica e na crítica jornalística cultural, só não sei se há público suficiente(mente) interessado nisso a ponto de viabilizar a manutenção de uma publicação, mas ainda assim me pergunto o que faz uma Abril acreditar em nichos atendidos por PHT, Mundo Estranho e Witch e não nessa sonhada revista sobre música ou sei lá mais o quê. Respondendo à pergunta do tópico, devo dizer que leio muita coisa do que foi falado aqui, mas como ninguém comentou, gostaria de incluir as seções de cultura dos grandes jornais, que na medida do possível, talvez subconscientemente, tentam preencher lacunas assistindo aos órfãos da Bizz.
Publicado em 21/8/2004 no Orkut
segunda-feira, janeiro 31, 2005
Morrissey ao vivo em DVD !!!
sábado, janeiro 29, 2005
Guitarras do Dave Mustaine à venda !!!
Qual não foi minha surpresa, quando navegando na Internet me deparei com o líder do Megadeth vendendo suas últimas guitarras da Jackson, já que ele passou a ser patrocinado pela ESP a partir de 2004. Já vi leilões de instrumentos, mas uma apresentação em PowerPoint com várias guitarras à venda pelo próprio dono famoso foi a primeira vez. A mais barata sai por 13 mil dólares e a mais cara nem tem preço! Alguém se habilita?
terça-feira, janeiro 25, 2005
Os álbuns que eu tive... [Parte 8]
The Smiths - Meat Is Murder (1985)
Comprei o vinil em 1986 no Carrefour da Barra
Foi o primeiro deles que comprei, mas não gostei "de cara"... aliás, também foi o primeiro álbum deles lançado no Brasil, no começo de 1986 - se não estou enganado, o primeiro vinil foi o EP de "The Boy With The Thorn In His Side" - e como a Bizz falava horrores (delícias?) da banda resolvi arriscar. Esse álbum ficou encostado até Bigmouth Strikes Again estourar nas rádios no final de 1986 e eu comprar o The Queen Is Dead e ficar chapado... e logo depois disso passei a achá-lo uma obra prima - aliás, qual álbum deles não é?
Interessante é que na versão americana em CD deste álbum (essa adição de faixas extras em edições de bandas inglesas - geralmente singles não lançados nos EUA - era bem comum nos anos 80/90), há uma faixa que não figurava no vinil original, "How Soon Is Now?". Esta música revolucionou o feedback em riffs de guitarra na década de 80 de uma maneira tão definitiva a ponto de fazer o The Edge se esconder atrás da árvore de Joshua... e a música acabou sendo coverizada por algumas bandas. Em buraco de paca, t.A.T.u. caminha dentro? Certamente que não, pois definitivamente a versão deles ficou horrível. Mas a do Love Spit Love (que aparece nas trilhas sonoras da série Charmed e do filme The Craft) ficou muito legal! Nas covers de outras músicas, a do Placebo para "Bigmouth Strikes Again" também ficou boa. Já a do Divine Comedy para "There Is A Light Than Never Goes Out", acabou ficando meio arrastada demais.
Cocteau Twins - Blue Bell Knoll (1988)
Comprei o cassete em 1989 nas Lojas Americanas da Rua das Laranjeiras
Comprei esse álbum assim que ele saiu pela Stilleto, uma finada gravadora brasileira que só lançou discaços! Quase chorei quando ouvi "Carolyn's Fingers" pela primeira vez. Aliás, o som da banda é tão inusitado que é difícil imaginar que isso pudesse ser retratado ao vivo e principalmente por isso eu adoraria ter ido aos shows no Brasil, mas no dia do show do Imperator (antiga casa de shows no Méier, RJ e recentemente reinaugurada) eu estava no segundo período da faculdade e tinha prova de Física II, mas só me lembro que durante a prova eu fiquei me remoendo por saber que a Liz Frazer e os seus meninos estavam a poucos quilômetros do Maracanã e eu lá perdendo tempo enrolando porque não tinha estudado quase nada... pra piorar, acabei repetindo essa matéria! Enfim, algum tempo depois consegui um pirata de um show de 93 gravado em K7 cuja qualidade do som estava bem legal, revelando pra mim alguns dos mistérios de como essa fantástica banda conseguia reproduzir seus cânticos e timbres ao vivo!
Leo Jaime - Todo Amor (1995)
Comprei o CD em 1999 na Virtual Music do Shopping Santa Mônica (Ribeirão Preto)
Dizer que este disco marcou o meu segundo semestre de 99 não seria nada demais, mas o que dizer de um disco que tem composições de Caetano, Djavan, Cassiano, Lulu Santos, Cazuza, Antônio Cícero e Ângela Rô Rô? Que foi produzido por Fábio Fonseca (lembram do hit "Não me iluda, vou te esquecer, você me perturba sem perceber"?), Liminha, Lulu Santos e Memê? E se eu dissesse que praticamente todas as regravações (sim, são poucas inéditas) ficaram infinitamente superiores à todas as outras versões anteriormente gravadas, incluindo as originais! Pra completar, tem Leo na sua melhor forma, cantando e também compondo - e as duas canções contidas no álbum deixaram aquele gostinho de "quero mais coisas autorais".
Bem, esse disco tocou muito menos do que merecia nas rádios (apenas "Preciso dizer que te amo" tocou, e bastante), vendeu muito menos do que poderia e talvez tenha frustrado ainda mais um Leo Jaime que já havia tentado expor a sua veia mais romântica e não teve a aceitação que esperava (o disco em questão é o Vida Difícil, de 1987, já resenhado por esta singular figura que vos escreve). Mas não é por isso eu estou aqui gastando a minha saliva (seriam pixels?) para dizer que este disco é genial pelo seu requinte, sua leveza e a sua simplicidade, ao mesmo tempo. É um disco humilde. Paulinho da Viola talvez gostasse de um adjetivo como esse. Além disso, para mim, quanto mais auto-biográfico melhor. Neste álbum, algumas peças se encaixaram como uma luva, não antes porém sem revirar alguns sentimentos...
Algumas faixas vão se costurando e montando um quebra-cabeças de desilusões... a canção cuja frase dá nome ao título do álbum é simplesmente fabulosa: "Tola foi você ao me abandonar desprezando tanto amor que eu tinha a dar", "Começo" continua: "Eu não quero nem saber os motivos, o porquê de você querer partir", "Eu amo você" diz: "Toda vez que eu penso em te dar o meu amor - penso que não vai ser possível te conquistar". Encerram a questão a faixa "Infiel": "Eu te quero bem, só não vou me deixar levar e ter como meu guia, meu farol, o seu coração inconstante" e em "Extravios", a confissão: "Eu sei que os extravios são necessários sim, a necessária parte do meu caminho sozinho".
A outra colcha de retalhos, bem menos depressiva, porém não menos bonita e profunda, começa com Esse brilho em teu olhar: "Contigo eu me esparramo, não tem engano, não nem erro não". Para "Preciso dizer que te amo", quaisquer comentários se fazem desnecessários. "Outono" cunha frases lindas, tais como "Gostar é atual, além de ser tão bom"; "Minha mulher" martela um dos adjetivos mais bonitos dos últimos tempos: "meu bichinho bonito" e "Sete mil vezes" aprofunda: "Sete mil vezes eu tornaria a viver assim sempre contigo transando sob as estrelas". Romântico, apaixonado, sentimental, enfim, quem não é? Pois é. Esse disco superpotencializa as suas emoções. Vá fundo, mas tome cuidado, nem sempre é bom ficar chorando copiosamente pelos cantos...
Comprei o vinil em 1986 no Carrefour da Barra
Foi o primeiro deles que comprei, mas não gostei "de cara"... aliás, também foi o primeiro álbum deles lançado no Brasil, no começo de 1986 - se não estou enganado, o primeiro vinil foi o EP de "The Boy With The Thorn In His Side" - e como a Bizz falava horrores (delícias?) da banda resolvi arriscar. Esse álbum ficou encostado até Bigmouth Strikes Again estourar nas rádios no final de 1986 e eu comprar o The Queen Is Dead e ficar chapado... e logo depois disso passei a achá-lo uma obra prima - aliás, qual álbum deles não é?
Interessante é que na versão americana em CD deste álbum (essa adição de faixas extras em edições de bandas inglesas - geralmente singles não lançados nos EUA - era bem comum nos anos 80/90), há uma faixa que não figurava no vinil original, "How Soon Is Now?". Esta música revolucionou o feedback em riffs de guitarra na década de 80 de uma maneira tão definitiva a ponto de fazer o The Edge se esconder atrás da árvore de Joshua... e a música acabou sendo coverizada por algumas bandas. Em buraco de paca, t.A.T.u. caminha dentro? Certamente que não, pois definitivamente a versão deles ficou horrível. Mas a do Love Spit Love (que aparece nas trilhas sonoras da série Charmed e do filme The Craft) ficou muito legal! Nas covers de outras músicas, a do Placebo para "Bigmouth Strikes Again" também ficou boa. Já a do Divine Comedy para "There Is A Light Than Never Goes Out", acabou ficando meio arrastada demais.
Cocteau Twins - Blue Bell Knoll (1988)
Comprei o cassete em 1989 nas Lojas Americanas da Rua das Laranjeiras
Comprei esse álbum assim que ele saiu pela Stilleto, uma finada gravadora brasileira que só lançou discaços! Quase chorei quando ouvi "Carolyn's Fingers" pela primeira vez. Aliás, o som da banda é tão inusitado que é difícil imaginar que isso pudesse ser retratado ao vivo e principalmente por isso eu adoraria ter ido aos shows no Brasil, mas no dia do show do Imperator (antiga casa de shows no Méier, RJ e recentemente reinaugurada) eu estava no segundo período da faculdade e tinha prova de Física II, mas só me lembro que durante a prova eu fiquei me remoendo por saber que a Liz Frazer e os seus meninos estavam a poucos quilômetros do Maracanã e eu lá perdendo tempo enrolando porque não tinha estudado quase nada... pra piorar, acabei repetindo essa matéria! Enfim, algum tempo depois consegui um pirata de um show de 93 gravado em K7 cuja qualidade do som estava bem legal, revelando pra mim alguns dos mistérios de como essa fantástica banda conseguia reproduzir seus cânticos e timbres ao vivo!
Leo Jaime - Todo Amor (1995)
Comprei o CD em 1999 na Virtual Music do Shopping Santa Mônica (Ribeirão Preto)
Dizer que este disco marcou o meu segundo semestre de 99 não seria nada demais, mas o que dizer de um disco que tem composições de Caetano, Djavan, Cassiano, Lulu Santos, Cazuza, Antônio Cícero e Ângela Rô Rô? Que foi produzido por Fábio Fonseca (lembram do hit "Não me iluda, vou te esquecer, você me perturba sem perceber"?), Liminha, Lulu Santos e Memê? E se eu dissesse que praticamente todas as regravações (sim, são poucas inéditas) ficaram infinitamente superiores à todas as outras versões anteriormente gravadas, incluindo as originais! Pra completar, tem Leo na sua melhor forma, cantando e também compondo - e as duas canções contidas no álbum deixaram aquele gostinho de "quero mais coisas autorais".
Bem, esse disco tocou muito menos do que merecia nas rádios (apenas "Preciso dizer que te amo" tocou, e bastante), vendeu muito menos do que poderia e talvez tenha frustrado ainda mais um Leo Jaime que já havia tentado expor a sua veia mais romântica e não teve a aceitação que esperava (o disco em questão é o Vida Difícil, de 1987, já resenhado por esta singular figura que vos escreve). Mas não é por isso eu estou aqui gastando a minha saliva (seriam pixels?) para dizer que este disco é genial pelo seu requinte, sua leveza e a sua simplicidade, ao mesmo tempo. É um disco humilde. Paulinho da Viola talvez gostasse de um adjetivo como esse. Além disso, para mim, quanto mais auto-biográfico melhor. Neste álbum, algumas peças se encaixaram como uma luva, não antes porém sem revirar alguns sentimentos...
Algumas faixas vão se costurando e montando um quebra-cabeças de desilusões... a canção cuja frase dá nome ao título do álbum é simplesmente fabulosa: "Tola foi você ao me abandonar desprezando tanto amor que eu tinha a dar", "Começo" continua: "Eu não quero nem saber os motivos, o porquê de você querer partir", "Eu amo você" diz: "Toda vez que eu penso em te dar o meu amor - penso que não vai ser possível te conquistar". Encerram a questão a faixa "Infiel": "Eu te quero bem, só não vou me deixar levar e ter como meu guia, meu farol, o seu coração inconstante" e em "Extravios", a confissão: "Eu sei que os extravios são necessários sim, a necessária parte do meu caminho sozinho".
A outra colcha de retalhos, bem menos depressiva, porém não menos bonita e profunda, começa com Esse brilho em teu olhar: "Contigo eu me esparramo, não tem engano, não nem erro não". Para "Preciso dizer que te amo", quaisquer comentários se fazem desnecessários. "Outono" cunha frases lindas, tais como "Gostar é atual, além de ser tão bom"; "Minha mulher" martela um dos adjetivos mais bonitos dos últimos tempos: "meu bichinho bonito" e "Sete mil vezes" aprofunda: "Sete mil vezes eu tornaria a viver assim sempre contigo transando sob as estrelas". Romântico, apaixonado, sentimental, enfim, quem não é? Pois é. Esse disco superpotencializa as suas emoções. Vá fundo, mas tome cuidado, nem sempre é bom ficar chorando copiosamente pelos cantos...
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