sábado, janeiro 15, 2005

Morrissey ou Smiths?

Morrissey é melhor que Smiths, mas é inegável que o Johnny Marr faz uma falta... Ainda mais porque ele não conseguiu fazer nada que prestasse depois dos Smiths. O Matt Johnson ("o homem" do The The) até fez um disco legal com ele, "Mind Bomb", mas vi pouco do Marr lá, até a Sinèad O'Connor cantando em uma faixa tem uma aparição mais representetiva; o "Packed" do Pretenders é considerado o álbum mais xarope e obscuro da carreira até pela Chrissie e até mesmo na única composição deles, "When Will I See You", não se ouve nenhum riff que preste [este humilde blog já resenhou este álbum - leia mais aqui sobre ele]; no Electronic, as bases e os solos poderiam muito bem ter sido feitas pelo Bernard Sumner, de tão simplórias; e parei de tentar por aí... nem ouvi o tal do Healers, mas parece ser outro xarope. Enfim, isso prova que o Marr que admiramos tanto só existiu porque o Morrissey estava lá; portanto o Smiths nunca poderia ser mais importante.


Certamente bem menos importante, mas bastante sinistro, é o relato de David Alice, que traça um paralelo entre a morte da Princesa Diana e as letras de Morrissey, The Diana-Morrissey Phenomenon, afirmando que o letrista foi profético e que a morte da Lady Di já estava anunciada "nos mínimos detalhes", e bem antes do romance com o dono da Harrods começar!

sábado, janeiro 08, 2005

Almanaque Anos 80

É leitura obrigatória pra quem viveu esses anos muito animados, que até hoje não foram superados pelas décadas seguintes. Mariana Claudino e Luiz André Alzer foram brilhantes na tarefa de extrair memórias à fórceps - ou seja, aquelas coisas que nunca poderíamos imaginar que ainda estavam armazenadas no nosso HD... Eu costumo exercitar bastante a minha memória trazendo lembranças daqueles tempos - e esse blog é uma das mais fortes expressões desse exercício constante - mas eles me pegaram de jeito. Parabéns!

Pegando uma carona no assunto, lembrei como era difícil conseguir discos importados nos idos dos anos 80 - acho até que já falei isso aqui, mas se falei, paciência, é porque isso realmente marcou muito a nossa geração mesmo - e os do Cure, principalmente, ralei muito pra conseguir os anteriores ao The Top, pois nessa época os CDs ainda não existiam e conseguir vinil importado era coisa para muito poucos... no Rio, só mesmo na Modern Sound em Copacabana e quando apareciam, custavam de três a cinco vezes o preço de um vinil nacional. Acabei conseguindo uns K7s argentinos, já que lá todos os antigões já tinham saído.

Isso já tem mais a ver com a década de 90, mas pra corroborar a paixão, o meu primeiro CD também foi um single do Cure, Just Like Heaven, importado e usado, uns 8 meses antes de comprar o meu aparelho no natal de 92!

quarta-feira, janeiro 05, 2005

Caetano Veloso e o futuro

Minha empolgação tresloucada com o Caê parou no "Livro", seu álbum de 1996, que acho fenomenal. Mas ainda assim considero o "Noites do Norte" (1999) um ótimo disco, com um mergulho interessante nas sonoridades e temáticas negras/africanas e um flerte com o rock rasgado. "Cobra Coral", "Meu Rio" e "Tempestades Solares" poderiam ser incluídas nas suas melhores safras e "Zera A Reza" e "Zumbi" são bons mantras.

Estes elementos ficaram mais latentes no registro da turnê ao vivo, onde Haiti ficou super minimalista e densa, apesar de ter-se abusado um pouco desta fórmula inclusive gerando estranheza ao fazer um contraponto explícito com o eruditismo do Jacques. Os tambores também estavam presentes, mas aqui nada de novo, pois em "Circuladô Vivo" (1993), por exemplo, eles também apareciam - e mais fortes. Abusou também da estrutura do "Prenda Minha" (1998) - um olhar mais focado na música popular (populista?) - e as duas tentativas de reprise de "Sozinho" ("Mimar Você" e "Magrelinha") saíram pela culatra (Mais detalhes sobre esse álbum no post anterior).

O disco com o Mautner pra mim tem gosto de recreio. Não acrescenta quase nada à trajetória do baiano e a boa verborragia não se sustenta na parte instrumental - e neste ponto exato a meu ver a criatividade do flerte com a geração do Moreno parece iniciar a se esgotar - apesar da boa intervenção do Jacobina.

O sentimento da entressafra se aguça com a chegada do álbum com as canções americanas. Apesar de um projeto antigo, a execução - e principalmente o repertório – deixaram a desejar. E se a porção intérprete de Caetano tenta manter o nível de qualidade das suas produções, a homenagem à cultura latina em "Fina Estampa" rendeu frutos muito mais saborosos. Desde uma releitura primorosa de uma das composições mais belas do quase-anônimo-no-Brasil-até-então Fito Paez até quase-clichês como "Contigo En La Distancia", o sentimento de frescor do projeto como um todo era latente - e magistralmente interpretado, diga-se de passagem. "A Foreign Sound" nasceu velho, passado, datado.

Portanto, acredito que, passada a entressafra, veremos um grande disco de Caetano. Pois se nas décadas de 70 e 80 os discos eram anuais, não passavam de 8 ou 9 faixas e as turnês tinham duração de não mais que 5 meses, a década de 90 trouxe consigo uma nova maneira de fazer música. Que aceitemos e possamos acreditar que ainda nos deleitaremos como sempre (ou como nunca!).

terça-feira, janeiro 04, 2005

Caetano Veloso e o passado

Pra mim, a última novidade relevante do Caê veio de 2002. Ou seria de 1978? Trata-se de um show histórico realizado nesta época no Teatro Carlos Gomes, no lançamento do álbum "Bicho", onde Caetano foi acompanhado pela histórica Banda Black Rio. Essa gravação foi incluída na "impossível" caixa (1000 reais é dose!) com toda a discografia do mestre remasterizada pelo Charles Gavin, "Todo Caetano", lançada no final de 2002, mas só pude "pescá-la" na Internet há uns seis meses atrás. Para mim foi mais uma constatação de que a voz de Caetano era muito mais solta (ou sem freios?) e é evidente que ao longo dos anos ele passou a cantar muito melhor. O auxílio luxuoso da Banda Black Rio nos arranjos das músicas, os tornam quase irreconhecíveis e com uma verve samba-jazz, dão um novo sabor a clássicos como "Odara", "London, London" e "Alegria, Alegria". Além destes e alguns outros sucessos de Caê, temos várias músicas instrumentais chiquérrimas: "Maria Fumaça" e "Leblon Via Vaz Lobo", da BBR e algumas músicas nordestinas, como "Na Baixa Do Sapateiro", de Ary Barroso (gravada por Caetano em 96 no álbum "Livro") e "Baião", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.

Transa (1972) e Jóia (1975)
Eu achava os dois álbuns bem esquisitos há 13 anos atrás, mas hoje sinceramente acho que são bons discos. Com altos e baixos - como quase todos os discos dele até 77 - mas com jóias como You don’t know me, Nine out of ten, Mora na filosofia, Minha mulher, Lua lua lua lua e Canto do povo de um lugar. Já o Araçá Azul, de 1973, até hoje é dose de agüentar...

Aproveitando a carona, reproduzo a seguir uma resenha escrita originalmente em 08/06/2001

Noites Do Norte Ao Vivo (2000)
O espetáculo prometia radicalizar as experiências sonoras que marcaram a turnê anterior, “Livro Vivo”, que deo origem ao CD/DVD "Prenda Minha" (1998). Porém, Caetano teria dito ao violoncelista Jaques Morelenbaum que este show talvez não fosse tão interessante para ele como trabalho musical. “Mas Jaquinho não achou isso, fiquei honradíssimo de ele querer tocar comigo mais uma vez”, disse Caetano.

Apesar da filosofia do álbum “Noites do Norte”, que evoca ritmos africanos e uma dialética essencialmente associada à história do negro no Brasil, incluindo pensamentos do abolicionista Joaquim Nabuco, tais como “A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil”, incluído na faixa-título, o show traz algumas poucas canções que poderiam estar associadas com este conceito. “Zera A Reza”, “Cantiga De Boi” e sua versão de “Zumbi”, de Jorge Benjor, são alguns raros exemplos.

Na verdade, o aclamado “radicalismo sem virtuosismo” é seguido à risca por Caetano e seus músicos, que incluem, além do famigerado Jaques, os quase “teenagers” Davi Moraes e Pedro Sá levando as outras cordas (guitarras, baixo e bandolim) e cinco percussionistas, incluindo o ótimo (também baterista) Cesinha. Atirando para todos os lados, o tiro de Caetano sai, de fato, pela culatra. As músicas mais autorais (e menos conceituais) do CD (como “Tempestades Solares” ou “Cobra Coral”) perdem-se na estrutura do show, que privilegia a verve “pop” e “bossanovista” de Caetano, não abandonando a sua particular visão histórica de “quase clássicos” que sempre emociona.

Em algumas músicas a forte percussão chega a ofuscar o brilho da voz de Caetano; os minimalistas Davi Moraes e Pedro Sá deixam quase sempre as canções vazias e só acertam a mão roqueira nas músicas com uma verve mais simplista, como “Tropicália”, “Rock‘n’Raul”, “Haiti” e “Língua”. Até na sessão “banquinho, voz e violão”, Caetano bate na trave. “Araçá Azul”, apesar de agradável, está muito abaixo da média das composições do baiano. Por outro lado, a global “Samba de Verão” e a indefectível já-ouvimos-mais-de-12.345.657-vezes “Sozinho”, são, de fato, totalmente dispensáveis.

Na linha dos maiores sucessos, as fáceis “Nosso Estranho Amor”, “Tigresa” e “O Leãozinho” banalizam o set, que poderia ser salvo com a belíssima “Dom De Iludir”, mas que é contaminada no final ao ser arrematada com o “Funk do Tapinha”. Entretanto, “Magrelinha” (Luiz Melodia) é uma séria candidata a “Sozinho II, A Missão” e “O Último Romântico” (Lulu Santos) acompanhada somente pelo violoncelo têm muitas chances de tocar no rádio, sim.

Apesar de algumas distorções (literais ou não), nunca é demais ver o mestre Caetano (à beira dos sessenta!) tentando – e conseguindo – continuar a ser o sopro de leveza, maestria, técnica, criatividade e ousadia, que o tornou a estrela-mor da música brasileira (e mundial, por que não?).

domingo, janeiro 02, 2005

Que banda levar para uma ilha deserta?


A cada dia tenho mais certeza de que o Cure é a banda pra se levar pra uma ilha deserta. O MTV Icon deles, que é citado no post anterior e felizmente foi veiculado aqui no Brasil no último dia 30 de dezembro, é a maior prova disso. Um monte de gente legal (e eclética!) reconhecendo os maiores atributos da banda foi muito bonito de se ver. Um post que prometo que farei poderá explicar um pouco melhor os porquês, descrevendo cada uma das músicas que iniciam cada disco do Cure: diferentes entre si e igualmente especiais. Aliás, o último álbum deles melhora a cada audição e a música de abertura, "Lost", é uma pancada só...

Vou aproveitar a carona pra falar do Wild Mood Swings, lançado em 96... dignos de menção nesse álbum são a Produção, o Jason e a Heterogeneidade. Concordo com muito do que sempre se falou sobre o WMS, realmente o Jason é muito fraco (ele quase estraga o Pornography no Trilogy!), a produção podia ter aparado algumas arestas, mas o fato dele ser extremamente heterogêneo, para mim, é o seu charme. Pra falar a verdade, quando ouço, raramente penso em pular alguma música desse álbum. Na última vez que ouvi, o que me saltou aos olhos foi a ousadia de colocar metais em várias faixas, pois a ótima voz do Robert e a as letras aguçadas não são novidade... No mais, acho que 8 é uma nota justa.

terça-feira, agosto 31, 2004

O Rio perdeu a vocação para o Rock?

Ou será que nunca teve? Até que nos idos de 86-88, muita gente ótima deu as caras por aqui. Mas atualmente, não dá pra acreditar que tanta gente boa vem ao Brasil e à América do Sul, mas ninguém vem ao Rio. O que está acontecendo com a nossa cidade? Nos últimos meses posso me lembrar das vindas de inúmeros artistas que simplesmente passaram longe por aqui. Não vou me ater aos motivos, que certamente são muitos e transcendem a minha sã sapiência. O fato é que há algo aqui que amedronta os empresários e promotores e a culpa deve ser nossa.

Bem, dos que vieram (Pixies, Pretenders, Linkin Park) aos que dizem que virão (Libertines, Primal Scream, Kraftwerk, PJ Harvey e até o Morrissey na Argentina!) - praticamente só Sampa na fita. Alguns irão dizer que a cena roqueira por lá é incomparável; outros dirão que foram os festivais quem conseguiram tais façanhas. Mas antigamente, cumprir o circuito Rio-Sampa era quase sine qua non para uma vinda ao país. Pra piorar, os festivais só acontecem fora daqui... e chegamos à famosa teoria sobre quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?.

Só nos resta rezar que os novos ícones da MTV UK não nos façam mais essa desfeita caso venham visitar os "hermanos" aqui de baixo. Aliás, muito legal é ouvir "Pictures Of You" na propaganda da HP sobre fotografia digital. Não foi a toa que eles inventaram uma capinha adesiva irada (chamada de "tattoo"), baseada no disco novo do The Cure, para o iPod especial que a Apple está vendendo na HP Digital Music para dar uma carinha diferente nesses lindos bichinhos.

terça-feira, agosto 10, 2004

Álbuns que nunca saíram em CD

Segue o post que coloquei no topic levantado pela comunidade Bizz do Orkut. Vale ressaltar que - profético ou não - todos estes álbuns foram resenhados por mim na inauguração da minha outra birosca em 98... e pra piorar a situação, a do Finis eu fiz originalmente na década de 80 - estamos ficando velhos, minha gente! Os links pras resenhas estão ao longo do texto...

"O primeiro e único long-play do Finis Africae é um clássico do pós-punk brasileiro que saiu pela EMI em 87. Vida Difícil, do Leo Jaime, lançado pela Sony em 86, também é um ótimo disco, produzido pelo Liminha e com participações dos Paralamas em várias faixas. Marcou época por trazer composições mais sérias, vertente somente retomada no seu também ótimo disco de 95, Todo Amor. O K7 do Finis tinha a faixa bônus "Inferno", o do Leo tinha "A Lua E Eu", do Cassiano, um lance que era muito legal mas que as versões em CD de muitos dos discos da época não trazem - vai entender o porquê - tipo os bônus "Química (Ao Vivo)" no K7 do Dois (Legião Urbana) e "Não Pague Pra Ver (Ao Vivo)" no K7 do Psicoacústica (Ira!). No quesito "saiu mas pouca gente viu", ainda tem o Capital Inicial (e os dois primeiros álbuns são realmente muito bons), onde os quatro primeiros foram lançados em CD mas só são vendidos juntinhos em uma caixa que quase nunca custa menos de 80 reais."

sábado, agosto 07, 2004

Stone Roses e as listas de 10 mais

Pois é, desta vez foi o Stone Roses a figurar no primeiro lugar da lista dos 100 melhores álbuns britânicos emitida pelo Guardian, com o auxílio de 100 votantes da indústria da música, inclusive colocando o fantástico Revolver, dos Beatles, em segundo. A história deles não é pitoresca; depois do citado álbum - o primeiro, depois de uma sucessão de singles bem sucedidos - a banda foi caindo no ostracismo. Realmente o disco é muito bom, mas acho que essa medalha de ouro que arrumaram aí é um pouco demais pra ele.

Coincidência ou não, o NME anunciou que o vocalista Ian Brown - que já vai para o seu quinto álbum solo desde a dissolução - resolveu chamar uma banda cover do Stone Roses para acompanhá-lo em alguns shows só com músicas do seu antigo grupo e infelizmente nós mortais aqui da América do Sul vamos - pra variar - ficar chupando o dedo.

A lista traz ainda umas derrapadas do tipo Blue Lines do Massive Attack em nono lugar, Metal Box do PiL em décimo e nenhum disco do Cure entre os 100 melhores.

quinta-feira, agosto 05, 2004

Os álbuns que eu tive... [Parte 6]

Madonna - Madonna (1983)
Comprei o cassete em 1986 na Gabriela do Largo do Machado
Até hoje o melhor álbum dela, todas as faixas são "instant hit singles", há mais sensualidade aqui do que em qualquer outra tentativa posterior e muito groove pra fazer seus pés colarem na pista. Apesar de ter apelado em várias mídias com os discos Like A Virgin e Like A Prayer, com o livro Sex e passando inclusive pelo simulacro de masturbação no filme Na Cama Com Madonna, as Divinyls foram muito mais contundentes nessa linha com o seu único sucesso, I Touch Myself. Musicalmente, nenhuma das suas modestas misturas superou o impacto do seu primeiro disco, tanto que em 1987 o seu disco de remixes foi totalmente calcado neste disco, que ainda é gostoso de ouvir. Só ficou faltando uma balada - única área onde Madonna conseguiu marcar seus golzinhos desde então.

RPM - Quatro Coiotes (1988)
Comprei o vinil na antiga Brenno Rossi do Rio Sul
A história deste disco é super interessante. Jardel Sebba, na coluna JukeBox, descreve bem porque o álbum frustrou meio mundo e implodiu a própria banda. A questão é que o disco é bom e por ter sido um dos maiores encalhes da MPB - perdendo aó para o pavoroso Burguesia, do Cazuza - pouca gente ouviu. Da faixa título, um ótimo rock lisérgico e contagiante até A Dália Negra, passando por Partners e Um Caso De Amor Assim, as canções perderam a verve pop mas ganharam densidade. Tinha até um samba-rock composto pela banda com participação do "malandro" Bezerra da Silva... enfim, este álbum mostra bem como uma decepção pode causar danos irreparáveis. O RPM - e o Paulo Ricardo também - nunca mais conseguiu se reerguer criativamente depois desse salto. Eles não se prepararam para cair e a queda foi mortal...

Dio - The Last In Line (1984) e Sacred Heart (1985)
Comprei os dois cassetes em 1987 numa antiga loja na galeria Condor
Um dos meus primeiros ídolos do metal e uma das melhores vozes até hoje, que bota o tio Ozzy no chinelo. Na verdade, o melhor disco do Dio é o primeiro, Holy Diver (1983), mas esses dois dão seus pulinhos, principalmente ao vivo, retratados no ao vivo Intermission (1986) que ainda tem a fantástica Man On The Silver Mountain, da década de 70, gravada originalmente por ele com o Rainbow. Pra fechar o caixão, não é nem preciso dizer que o Black Sabbath com o Dio é de chorar!

terça-feira, agosto 03, 2004

O Revival dos Anos 80

Quem diria que os anos 80 iriam voltar com força total nos 00... nós já tínhamos visto este filme nas décadas de 80 com o revival dos 60 e em 90 com o revival dos 70, mas eu nunca imaginei que esta matemática dos fatídicos “20 anos” iria se perpetuar depois da geração da Internet. O triste é constatar que de lá pra cá muito pouco se fez em termos de cultura musical – considerando que o grunge nasceu no final dos 80.

Vem surgindo zilhões de eventos com o "melhor" dos anos 80 - e o pior, que diga-se de passagem ainda é bem melhor do que a nata dos 00 - e a reboque, uma afetação sem fim, com um propósito implícito de espinafrar as coisas legais e fazendo parecer que tudo era caricato naquela época, quando na verdade nós éramos autênticos. Pra piorar, na nova febre da Internet, o Orkut, uma plataforma de afiliação de redes de interesses, mesmo nas comunidades em que os membros são eminantemente filhotes dos 80, 99,87% dos comentários são abobrinhas recheadas com jiló (argh!).

No mercado editorial, a Abril não ressuscita a Bizz, mas lança uma série de filhos retardados da Super Interessante, tipo Flashback, Biografias e outros suplementos especiais que, convenhamos, são quase lamentáveis. Ainda bem que o José Augusto Lemos e o Jardel Sebba ainda escrevem por lá... Aí, tirando a Internet, sobram os jornais, com meia dúzia de gatos pingados segurando a bandeira da crítica musical cerebral e pronto.

O pior é que eu sou nostálgico por natureza. Adoro os anos 80, principalmente a sua música. Mas estou doido pra pintar um terremoto por aí pra ver se caem esses frutos podres que andam vagando e apareça uma maneira real da gente poder conhecer pontos de vista inteligentes, que principalmente nos instiguem a ir pra frente.

sexta-feira, julho 16, 2004

New Punk

Não sou especialista no novo punk que apareceu lá pelos idos da década de 90. Bad Religion, Green Day, Offspring e seus congêneres - incluindo o chamado emocore - realmente não fazem a minha cabeça. Mas não é que o Steriogram, uma banda da Nova Zelândia, parece bem interessante? Não conseguiria definí-los facilmente. Ouço ecos de Wonder Stuff, uma banda inglesa do final da década de 80 e de Cure do final da década de 70 - talvez por isso tenha achado tão legal. Além do mais, o clipe de Walkie Talkie Man é simplesmente um barato. Eu sempre gostei de desenhos com bonecos de massinha, mas neste a animação é praticamente toda feita com linha de tapeçaria, dando um toque super criativo e inovador!


quarta-feira, julho 14, 2004

Injustiças musicais

Eu já sabia que listas eram injustas. Claro que depois de publicar as nossas, fica latente que a indignação ou a raiva em relação às alheias são substituídas pelo arrependimento. De fato, o que é legal nessas listas é tão somente ressaltar as diferenças entre as pessoas e suscitar a discussão saudável sobre um determinado tópico, mesmo que no final, sempre prevaleça a máxima do "gosto não se discute".

Bom, o blá-blá-blá é só pra dizer que, no final das contas, gente boa demais ficou de fora. Então listarei aqui, pouco a pouco, aqueles dignos de menção, seguindo os mesmos critérios anteriormente descritos.

R.E.M. - Green (1988)
Beatles - Revolver (1966)
Titãs - Cabeça Dinossauro (1986)
Siouxsie & The Banshees - Superstition (1991)
O Rappa - Lado B Lado A (1999)
Swing Out Sister - Get In Touch With Yourself (1992)
Legião Urbana - Dois (1986)
Morrissey - Your Arsenal (1992)
Mundo Livre S.A. - Samba Esquema Noise (1994)
10,000 Maniacs - In My Tribe (1987)
Ed Motta - Entre e Ouça (1991)
Bauhaus - Mask (1981)
Pretenders - Viva El Amor (1999)
Chico Buarque - Meus Caros Amigos (1976)

sábado, julho 10, 2004

Os 10 melhores álbuns de todos os tempos

Já que o meu amigo Pocinha, da TocLoc (Locadora de CDs e DVDs) pediu aos sócios que fizessem sua listinha à lá "Alta Fidelidade" pra eleger os 10 melhores álbuns de todos os tempos - e como acaba que esse blog não fala de muito mais coisa a não ser música mesmo - vou tentar fazê-la. Eu já tinha feito uma vez uma listinha dos melhores 25 álbuns de metal para o Globo (ou pra Bizz, não me lembro), à pedido do Bernardo Araújo, mas essa lista que o Pocinha pediu vai ser dureza!

1. The Cure - Disintegration (1989)
2. The Smiths - The Queen Is Dead (1986)
3. Faith No More - Angel Dust (1992)
4. Everything But The Girl - Idlewild (1988)
5. Pixies - Surfer Rosa (1988)
6. Caetano Veloso - Circuladô (1991)
7. The Cult - Love (1985)
8. New Order - Low Life (1985)
9. Depeche Mode - Violator (1989)
10. Alice In Chains - Dirt (1992)

É claro que essa lista muda todo dia. Além disso, gostaria de fazer mais duas ressalvas sobre as minhas escolhas.

Primeiro, não coloquei nenhuma coletânea porque acho que nessas listas os álbuns devem ser eminantemente autorais, portanto, não acho justo incluir algum desse tipo se o artista teve uma carreira super respeitada e lançou um ótimo "the best of", mas os álbuns em si não eram tão consistentes - e eu colocaria vários nessa categoria: Bauhaus, Chico Buarque, Pretenders, enfim, tantos!

Segundo, não quis colocar o inverso: álbuns "perfeitos" de artistas com uma carreira, digamos, não tão profíqua e/ou duradoura; e eu citaria alguns que me vem à cabeça neste momento: o primeiro do Stone Roses, o primeiro do Sex Pistols, o primeiro do Sugarcubes, o Brick By Brick do Iggy Pop ou o Nevermind do Nirvana.

Pra finalizar, que não digam que eu copiei o Kyle do South Park quando ele diz a seguinte frase num certo episódio ao "herói" Robert Smith (que dublou a si próprio!) quando ele finalmente salva o mundo da dominação da "megera" Barbra Streisand: "Disintegration is the best album ever!".

quarta-feira, julho 07, 2004

Os álbuns que eu tive... [Parte 5]

Jesus & Mary Chain - Psychocandy (1985)
Comprei o vinil em 1987 nas Lojas Americanas de Laranjeiras
Esse odiei quando ouvi. Tive vontade de quebrar que nem o Cazé no Neurônio MTV. Achei desleixado, tosco e paradaço. Hoje percebo que pelo menos eles foram inovadores no conceito e os seus seguidores conseguiram aprimorar a fórmula. Na verdade não consegui gostar do Jesus & Mary Chain até que eles lançassem o seu terceiro álbum, o "Automatic" (1990), que hoje me lembra a mesma guinada que o Sisters of Mercy deu com o "Vision Thing" (1990), onde pitadas de testosterona, uma boa bateria eletrônica e uma tomada em 220 volts fizeram toda a diferença. Finalmente, o vocal doente e a guitarra senil estavam com mais "pegada" e também diferentes do segundo álbum, onde os toques de surf music anos 50 ainda não tinham me seduzido. Bom, no frigir dos ovos, os caras influenciaram muita gente boa, começando pelo My Bloddy Valentine e indo até o Oasis e passando pelo fenomenal Pixies, que inclusive fez uma fantástica releitura de um dos hits do "Automatic" no seu último álbum de estúdio, "Trompe Le Monde" (1992), antes do retorno triunfal em 2004.

Joy Division - Closer (1980)
Comprei o vinil em 1989 numa loja na Sete de Setembro
Comecei a freqüentar o centro da cidade na busca por sebos de discos, revistas e livros por essa época - a única exceção até esse momento eram as idas à Rua da Carioca para comprar encordoamentos e namorar as guitarras nas vitrines das lojas de instrumentos musicais. Ensaiei muito pra comprar esse álbum. Já gostava de New Order e tinha ótimas referências provenientes da Bizz, mas por algum motivo tinha receio de não gostar muito do som. Naquela época era difícil conhecer as bandas "obscuras", a não ser comprando os discos ou pegando emprestado com alguém, portanto, a gente tinha que se virar de algum jeito. Achar uma dessas "obras-primas" em sebos era tarefa árdua e como nenhum dos meus amigos gostava do Joy Division, eu tentava selecionar os melhores porque a grana era curta e a safra naquela época era profíqua. Na verdade, um outro motivo era um sentimento que tomava conta vez em outra de maneira bastante contundente comigo e se manifestava de várias formas e em várias fases: o radicalismo tipicamente adolescente. Achava muito rara a possibilidade do Joy Division superar o New Order de alguma maneira e fui retardando o projeto de ouví-los. Quando finalmente aconteceu - pra variar - demorei a entender. O minimalismo do som me causou uma certa repulsa e lembro que aconteceu igualzinho quando ouvi Siouxsie pela primeira vez, ao contrário do Cure, que sempre teve uma "pegada" que me encantava de graça. Mas foi só questão de tempo para se apaixonar pelo lirismo e a angústia das palavras e do timbre de Ian Curtis, admirar os ritmos inusitados de Stephen Morris e acompanhar o nascimento do baixo inconfundível de Peter Hook. Senti que tinha descoberto os mais puros representantes do punk que trocaram a revolta (adolescente?) pela depressão (adulta?) e que fatalmente naquele momento havia florescido uma das primeiras flores que compuseram o jardim que hoje chamamos de pós-punk.

Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens - Ao Vivo (1986)
Comprei o vinil em 1986 na antiga Mesbla do Passeio
Esse era um dos que eu ouvia saboreando um cornetto de creme com gotas de chocolate... era um ritual delicioso, mas raro porque eu dosava a gula pra poder comprar casssetes para gravar os álbuns que eu arrumava emprestado. Engraçado que os outros que eu ouvia seguindo o mesmo ritual - "Bring On The Night" (1986), do Sting, e o "Magic Touch" (1986), do Stanley Jordan - também tinham o mesmo clima (lendo as resenhas deles vai dar pra entender os porquês). Além de trazer uma nova roupagem para os clássicos do Kid Abelha, com versões estendidas e canções emendadas, o álbum tinha uma veia quase jazzística. Seria a recente saída do baixista e compositor Leoni a causadora dessa guinada nos arranjos? A vontade de exorcizar sua figura tão presente? O fato é que a banda até hoje não conseguiu superar a força daquelas composições e apesar de ter sustentado com louvor sua carreira desde então - e diga-se de passagem, sem altos e baixos, feito quase inédito entre as bandas do rock brasil 80 - e por essas e outras esse disco - quem diria - continua atual mesmo com a enxurrada de "acústicos" e "ao vivos" que foram lançados nesta década.

quinta-feira, julho 01, 2004

Cure de volta à ativa !!!

Parece ser muito bom esse disco novo do Cure. Só ouvi o single, "The End Of The World" e lembra tudo de melhor que Robert Smith já fez. É uma pena que o Hemisfério Norte todo se agita para esse tão esperado lançamento - sem falar da turnê dos caras, que já está rolando - e a gente aqui embaixo fica só babando...